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Opinião

Memórias de Viagem: Alemanha- Terra de Origens- Imigrantes Alemães no RS (Parte VI)

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Marlei Klein
Por Marlei Klein
Foto Divulgação

Na nova terra, as famílias brasileiras-alemãs cresceram e se multiplicaram alegremente, abençoadas pela esperança de um mundo melhor para os seus filhos

Reminiscências

Fazia-se sentir a necessidade de ocupação das terras gaúchas, lindeiras com o Vice-Reinado do Prata, em virtude de constantes invasões. A Corte busca a solução com imigrantes europeus, germânicos, pela influência da Imperatriz Leopoldina, da Casa dos Habsburgos, da Áustria. Chegaram 39 pessoas que ocuparam a extinta Imperial Feitoria, situada na margem esquerda do Rio dos Sinos, assim dando origem à fundação da próspera cidade de São Leopoldo. Esta orgulha-se de ter dado ao Estado início de grande prosperidade.

A cultura e os imigrantes

A criação de escolas logo teve início. Os colonos alemães as criaram para ensinar as crianças a ler, escrever e fazer contas. Assim surgiram as escolas de comunidades chamadas de “Gemeindeschule”.  Não havia picada, lá no fundo do mato, onde não funcionasse uma escolinha. As crianças vinham de longe, muitas vezes descalças, até de um raio de 4 a 5 quilômetros. Algumas vinham a cavalo. O material de aula era simples: a lousa – um retângulo de pedra lapidada onde se escrevia com lápis de pedra. Tinha que haver muito cuidado, pois tudo se apagava facilmente.

Mais tarde, chegou uma cartilha, em alemão – “Lesebuch”. Aumentadas em número, a cada ano e espaços, essas escolas garantiram a luz das letras a milhares de pessoas. Por volta de 1938 eram mais de mil escolas coloniais. Sempre, o menor número de analfabetos foi na Colônia Alemã.

Atividade artística

Os alemães possuem um caráter muito associativo, isto é, gostam e precisam viver em grupos. O clima frio, da Alemanha, deve ter sua influência sobre tal comportamento. Já nos climas quentes as pessoas andam soltas, fora de casa, sem o aconchego da lareira. A intensa vida em família e os encontros nos locais de lazer, nos clubes, fez surgir grupos de música, de teatro, de canto. Lembrando que, na terra de origem, era uma necessidade aprender música, quer com o canto, quer como tocar um instrumento musical. Era muito importante saber e conhecer música. A arte musical sempre fez parte da vida do povo germânico.

O canto coral, hoje tão intenso no nosso Estado, é uma das grandes heranças alemãs. Não há vila de origem alemã onde não se canta em grupos masculinos, femininos ou mistos. Da mesma maneira foram criadas as orquestras na capital e no interior do Rio Grande. No mínimo, nas comunidades religiosas, há um instrumento musical- órgão ou piano- onde acompanhado de pequeno coro abrilhantam os cultos, acompanham os enterros ou alegram as festas de igreja.

O domingo

Trabalho, muito trabalho, de sol a sol, mãos calejadas, homens, mulheres e jovens tinham no domingo o dia especial de louvor e agradecer a Deus. Os cultos e as missas reuniam a todos. No fundo, isso constituía um grande encontro social, como necessidade, pois moravam afastados e eram saudosos do lazer em sua terra natal. Sua vida devia ser igual à que levavam em sua terra de origem. Desse desejo de vida comunitária nasceram as sociedades que marcaram a vida social em nosso Estado. Muitas delas centenárias como a Sociedade Germânia de Porto Alegre fundada em 1855 e muitas outras mais. Com a chegada de padres jesuítas alemães, em 1859, aconteceram novidades pelas colônias. Eles reuniam os colonos em agrupamentos – os “Verein”- para uma melhor formação deles. Surgiu, assim, a Sociedade de Agricultores que cuidava da produção e foi criado um sistema de poupança através das Caixas Rurais. Hoje, ainda existem algumas como a Sociedade União Popular, com sede em Nova Petrópolis.

Noivas de preto

O hábito de noivas usarem vestido preto, no dia do casamento, teve início na Idade Média, na Alemanha. A causa, além das dificuldades econômicas, foi durante o Regime de Servidão- na época feudal. Os patrões tinham o direito de dormir a primeira noite com a noiva de seu vassalo- empregados nobres. Era o Direito da Primeira Noite. Elas, em forma de luto, começaram a usar vestido negro, com véu branco, para contestarem pela atitude dos senhores feudais. Foi um dos hábitos culturais mais duradouros. Aqui, nas “velhas colônias” como em São Leopoldo, Vale do Taquari, Rio Pardo, Nova Petrópolis, Picada Café e outras, durante muito tempo as noivas continuaram com o costume. Uma das causas foi a dificuldade econômica, pois o vestido preto poderia ainda ser usado por muito tempo após o casamento. Em Porto Alegre, aconteceram muitas exposições sobre as “Noivas de Preto”.

Conclusão

Na evolução e grandeza do povo rio-grandense, a colonização germânica tem sido um fato étnico, econômico e social dos mais importantes. Escolas, sociedades, grupos de amparo mútuo- mais tarde hospitais, tudo mostra a maneira de viver em sociedade, isto é, associativamente, dos imigrantes e seus descendentes. Fazem parte dos arquitetos desta civilização, que todos nós temos a ventura de desfrutar.

 

 

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