Beócio era um morador da antiga província grega BEÓCIA. Hoje, beócio é um termo pejorativo que quer dizer simplório, ignorante, ingênuo ...
Infelizmente, parece que nós brasileiros somos sócios deste clube, pois nosso comportamento frente aos desmandos e desgovernos pelos quais temos vivido nesses últimos anos, nos coloca nesta situação. E o pior é o que pagamos, como associados, que são os impostos nossos de cada dia, isto é, a cada compra que fazemos.
Os leitores e as leitoras têm lido o recibo do supermercado onde aparecem todos os impostos inseridos em nossos alimentos? Imposto federal, imposto estadual, imposto municipal.
Vamos falar sobre a energia elétrica – ao acendermos uma lâmpada pagamos no Brasil, em dólares, o dobro dos países ricos como Estados Unidos, Reino Unido, França e Japão, enquanto a renda dos brasileiros, em média, é dez vezes menor. Nossa energia é das mais caras do mundo enquanto temos fartura de água, de sol, de gás nas reservas do pré-sal. Isto acontece porque, junto a nossa conta de luz, nosso clube está pagando a Usina de Angra dos Reis inacabada há 50 anos; a obsoleta indústria do carvão de SC e do RS; a queima de diesel nos geradores da Amazônia; na irrigação das lavouras para exportação; na iluminação de clubes de campo e até de igrejas do interior. A mineradora VALE, até o ano passado recebeu 400 milhões de reais, sem produzir eletricidade nenhuma desde o acidente de Mariana em MG.
Enquanto bilhões de reais saídos dos gananciosos tributos (ou seja, dos nossos bolsos), nossos políticos e governantes recebem 6 bilhões para suas próprias despesas e campanhas eleitorais.
É, nesta última eleição, vimos como não apareceu no horizonte político, um candidato com sabedoria para exercer o alto cargo na nação com um bom programa administrativo.
E, com o presidente eleito, já podemos vislumbrar mais despesas para nós beócios pagar, como a provável criação de mais 14 ministérios conforme sua excelência está anunciando.
Infelizmente parece que nosso “clube” não vai fechar suas portas tão cedo. Aliás, pelo jeito como anda a carruagem da educação pública (que move e alerta a capacidade de escolhas) vai levar mais alguns séculos para nos tirar dessa aldeia brasileira chamada “Beócia” e nos deixando alojados no ... quartel de Abrantes.
Fonte: Revista VEJA 13.07.2022.
Em tempo: Linda matéria sobre o Castelinho na edição deste Jornal do último fim de semana de novembro.