O último mês do ano é marcado pela cor vermelha na área da saúde. O propósito do movimento é chamar a atenção da sociedade e sensibilizá-la quanto a importância do acesso à informação adequada sobre o HIV, essencialmente sobre as medidas de prevenção, do mesmo modo que a evolução dos tratamentos.
O ponto alto da campanha é nesta quinta-feira (1º), momento em que é celebrado o Dia Mundial de Luta contra a Aids. Em Erechim, os profissionais de saúde estarão mobilizados para reforçar as orientações e alertas sobre o assunto.
Cenário em Erechim
Em entrevista ao Programa Equilibre-se da TV Bom Dia, o médico infectologista, Vanderlei Madalozzo, enfatizou que é fundamental haver uma data em que, representantes de vários setores, principalmente relacionados à saúde, desenvolvem medidas em combate ao HIV. “Vale ressaltar que esse assunto merece uma atenção permanente”, afirmou.
Na avaliação do especialista, a realidade no município é preocupante, considerando o número expressivo de casos de HIV e as faixas etárias. “Tivemos um aumento significativo para nossas estatísticas locais. Em 2021 foi registrada a média de um a dois casos por mês e, nesse ano, o indicador é de um caso a cada 10 dias. Com isso, temos mais de 30 casos novos no município. Chama a atenção, do mesmo modo que no ano passado, um número expressivo de exames positivos envolvendo o público jovem, principalmente nas faixas de 18, 25 e 26 anos, homossexuais ou bissexuais”, relatou o médico ao acrescentar: “Ficamos ainda mais preocupados, tendo em vista o amplo acesso às informações que há na atualidade. Desse modo, observo que dois fatores podem estar envolvidos: o abandono das medidas de proteção, a exemplo do uso do preservativo e o fato da evolução do tratamento que leva muitas pessoas a pensar que, caso se contaminem, podem se tratar e ter qualidade de vida igual a todas as pessoas”.
Medidas de tratamento
Durante a conversa, que foi ao ar na noite de ontem (29), Dr. Madalozzo assinalou que, se comparados há mais de 30 anos, o quadro clínico e o modo de transmissão do HIV são os mesmos de hoje. No entanto, o tratamento evoluiu muito. “O chamado coquetel foi o que mais avançou quando se pensa no tratamento oferecido gratuitamente aos pacientes. Há 25 anos, o coquetel continha 12 a 15 comprimidos, e hoje são apenas dois e as vezes, até mesmo um comprimido, e com menos efeitos colaterais. Podemos dizer que é um tratamento de fácil acesso e seguro”, comentou, citando ainda: “Todos os pacientes podem se tratar, basta procurar um ambulatório do Sistema Único de Saúde.
Contudo, é possível evitar tudo isso com a prevenção”, frisou.
Testagem o ano inteiro
Além de reforçar o cuidado com a qualidade de vida e bem-estar nesse ‘Dezembro Vermelho’ que se aproxima, durante todo o ano, a Secretaria de Saúde disponibiliza serviços a toda comunidade erechinense, a exemplo do teste rápido, disponível em todas as Unidades Básicas de Saúde (UBS’s), de segunda a sexta-feira. O resultado é divulgado após 15 minutos, de forma gratuita e sigilosa. “Nesta quinta-feira, mantendo o foco na prevenção, haverá ações em diversos pontos do município, inclusive na UPA e UBS’s, com testagem e conversas com profissionais, no propósito de ampliar o acesso à informação. “Nossa ideia é intensificar o quanto é melhor prevenir, tendo em vista os riscos a partir da doença, mesmo que exista uma evolução no tratamento”, enalteceu o urologista.
Mensagem do especialista
“Priorize o uso de preservativo nas relações sexuais e, ao mesmo tempo, não tenha receio de fazer o exame. Quanto mais cedo obter o diagnóstico, melhores serão os resultados e a eficácia do tratamento”.