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Política

A urna eletrônica, a urna de papel e a história

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Em 1976, o resultado final era num formulário da Justiça Eleitoral, registrado na máquina de escreve
Em 1988, formulário já era mais moderno, carbonado, mas as informações ainda eram feitas através da
Por Rodrigo Finardi
Foto Site/TSE

Segue no Brasil, pelo grupo que apoiou Jair Bolsonaro (PL), a convicção que as urnas eletrônicas apresentam problemas e que ele teria vencido as eleições de 30 de outubro.

Esta semana o presidente estaduial do PL, Valdemar Costa Neto, em coletiva de imprensa, apresentou documentos que segundo ele foram feitos por especialistas, questionando as urnas: "Não somos especialistas em segurança de dados, por isso fomos atrás de técnicos que fizessem esse trabalho para garantir a transparência do processo eleitoral. Até porque eu, Valdemar, fui eleito com urna eletrônica e a bancada do PL foi eleita por urna eletrônica", disse o dirigente partidário.

279 mil urnas

Após a coletiva, o presidente do TSE, Alexandre de Moraes, deu 24 horas para o PL apresentar dados das urnas do 1º turno, já que havia recebido pedido para que os votos no segundo turno de 279 mil urnas eletrônicas fossem desconsiderados. Os equipamentos, segundo o relatório, seriam as urnas de modelos anteriores a 2020. O PL alega que há falhas nos modelos.

Multa milionária

O novo capítulo foi que o TSE considerou que ação do PL não trouxe indício ou prova de fraude e condenou a coligação por litigância de má-fé, quando a justiça é acionada de forma irresponsável, e multa em torno de R$ 23 milhões.

Fiscal de urnas

Faço esse rescaldo da semana para lembrar um pouco como eram as eleições antes das urnas eletrônicas, quando eram de papel, até 1998 (nesse ano fui fiscal de urna no ginásio da URI). Era interminável, sem prazo para divulgação do resultado.

Como eram as eleições, antes das urnas eletrônicas

Votava-se numa cédula de papel e se depositada numa urna lacrada, que era aberta na hora do escrutínio, quando eram colocadas em dezenas de mesas que ficavam espalhadas pelo ginásio, com representantes da Justiça Eleitoral e dos partidos para que fosse feita a conta e depois transferido para um boletim de urna. Após a contagem de todas as urnas, se emitia (em máquina de escrever) um boletim final com os vencedores das eleições.

“O que acontece em Dallas, fica em Dallas”

Mas o que aconteciam nessas mesas era de arrepiar, mas ao final os resultados eram aceitos pelos derrotados, que às vezes pediam recontagem. Era como um pacto, tipo “o que acontece em Dallas, fica em Dallas”.

Revelação com sigilo da fonte

No meio do momento conturbado que vivemos, um dirigente partidário da época, com forte influência, me revelou, em sigilo da fonte, como aconteciam desvios de votos nestas apurações (sem revelar as datas que aconteceram).

 

O acordo de cavalheiros

Dava-se através dos votos em brancos, quando os fiscais dos partidos (mesmo oponentes), faziam um acordo de cavalheiros. Dividiam os votos em branco, para preencher com o nome de seus candidatos (na maioria das vezes para vereadores), de uma maneira que não vazasse, pois todos eram beneficiados através desta, que era uma fraude. 

Escrevo isso, pois a fraude é independente da época digital ou analógica. São as pessoas que as cometem. E é de longa data.

Como eram os boletins de urnas

Trago nesse relato dois boletins de urnas, um de 1976 (números para prefeito) e outro de 1988 (com os votos de uma parte dos vereadores), para mostrar como era decretado os resultados, numa folha de papel escrito a máquina de escrever, com assinatura dos responsáveis. 

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