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Cultura

Castelinho: o berço da imigração (Parte I de V)

Foi construído entre os anos de 1912 a 1915 e representou um importante marco para a imigração no estado e para o desenvolvimento para o município de Erechim

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Segundo a arquiteta e urbanista, Ariane Pedrotti: “O Castelinho possui várias colunas que remetem à
Coordenador do Arquivo Histórico Municipal, Henrique Trizotto. “A obra custou aproximadamente 28 mil
Conforme o historiador, Enori Chiaparini, o órgão municipal foi instalado dentro de uma sala na anti
De acordo com o advogado Thales de Souza, filho do ex-chefe da Inspetoria de Terras, Antônio de Souz
Secretária de Cultura e Esporte de Erechim, Carla Talgatti, relata que o projeto atual propõe não ap
Por Bruna Rebonatto
Foto TV Bom Dia e Arquivo Histórico

Uma estrutura que reflete a identidade de um povo, representa um marco da imigração e apresenta uma riqueza de detalhes arquitetônicos em madeira. O maior símbolo de Erechim, o Castelinho, foi construído no início da década de 1910, é conhecido por abrigar a sede da Comissão de Terras e a contribuir para o crescimento do município.

Inaugurado em 20 de abril de 1916, o Castelinho apresenta uma mistura de traços arquitetônicos que, muitos deles, foram trazidos por imigrantes e observam-se presentes no patrimônio histórico em madeira até hoje. A expressão arquitetônica remete a uma combinação de elementos presente na estrutura do Castelinho, identificando-se na edificação a existência das culturas: italiana, grega, alemã, entre outros.

Segundo a arquiteta e urbanista, Ariane Pedrotti: “O Castelinho possui várias colunas que remetem à estrutura grega e possui muitos elementos de várias imigrações diferentes que estão presentes. As inclinações dos telhados, o tipo de construção que remete a arquitetura italiana e o esqueleto da estrutura do prédio que remete ao sistema construtivo alemão”.

A obra do patrimônio histórico foi encomendada e financiada pelo Estado do Rio do Grande Sul para abrigar as equipes que vinham organizar e fazer a mediação na distribuição dos lotes de terras aos imigrantes, segundo o coordenador do Arquivo Histórico Municipal, Henrique Trizotto. “A obra custou aproximadamente 28 mil cruzeiros, na época, e serviu também para representar o governo gaúcho na nossa Colônia”, ressalta.

Apesar do Castelinho ser uma obra financiada pelo órgão estadual, o prédio também já foi responsável por abrigar funções administrativas e políticas do município erechinense. Após dois anos da inauguração do prédio que virou, hoje, patrimônio histórico, gradualmente, funcionou como a sede da Prefeitura Municipal, sendo instalada em uma sala do prédio, logo em seguida, a cidade de Erechim (Boa Vista, na época) conquistar a sua emancipação e deixou de ser um membro do município de Passo Fundo.

Conforme o historiador, Enori Chiaparini, o órgão municipal foi instalado dentro de uma sala na antiga sede da Comissão de Terras, em junho de 1918, e a inspetoria era responsável por receber as figuras políticas que vinham para a cidade.

De acordo com o advogado Thales de Souza, filho do ex-chefe da Inspetoria de Terras, Antônio de Souza, entre as personalidades políticas que visitaram o nosso patrimônio histórico está o então governador gaúcho Osvaldo Cordeiro de Farias, na década de 30.

Restauração anterior

O Castelinho tornou-se um bem tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado (IPHAE) como patrimônio histórico na década de 80, se tornando o maior exemplar de edificação histórica preservada em madeira no Brasil e a única tombada pelo estado gaúcho. Como o prédio é propriedade do Estado, apesar da doação do Castelinho ao município erechinense, todas as aprovações sobre o que são realizadas no local, são necessárias serem passadas e aprovadas pelo órgão estadual.

Há 9 anos o prédio histórico está fechado para visitas. O projeto da restauração anterior foi dividido em três partes, sendo que a primeira fase da revitalização foi iniciada em 02 de agosto de 2013 e finalizada cinco meses depois. Conforme Ariane Pedrotti, arquiteta responsável pela obra na prefeitura, as etapas seguintes foram interrompidas e suspensas pelo IPHAE em função de não haver um plano de ocupação cultural após a finalização da restauração do patrimônio histórico.

Na sequência, explica que o Castelinho não sofre o risco de desabar completamente, apesar do estado que o prédio se encontra no momento atual. Salienta que foi recuperado a parte estrutural na revitalização anterior que impediu de desmoronar uma parte do lado norte do edifício naquela época. “Tinha problemas com algumas calhas soltas e condutores de telhados que estavam apodrecendo toda parte da estrutura do prédio, e a estrutura estava cedendo" frisa.

Atualizações sobre o Projeto de Restauração

Em agosto deste ano, a secretaria de Cultura e Esporte, Carla Talgatti, se encontrou com o IPHAE para apresentar o projeto de restauração e cultural do Castelinho desenvolvido pelo Departamento de Cultura e Secretaria de Cultura e Esporte juntamente com o Serviço de Patrimônio Histórico e Cultural. Conforme Talgatti, o plano propõe não apenas uma restauração, mas uma ocupação consciente com objetivo de resgatar a memória histórica do prédio que marcou a colonização do município.

Tido como uma referência simbólica para o município de Erechim, a restauração completa do Castelinho conta com um orçamento superior a R$ 6,5 milhões. De acordo com Talgatti, a equipe técnica está buscando a captação de recursos e trabalhou juntamente com o IPHAE para adequar o projeto de revitalização e ocupação do patrimônio histórico.

Na sequência afirma que o projeto desenvolvido pelos órgãos municipais, foi aprovado na primeira fase do edital de restauração do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado. Destaca-se que o plano precisa passar por mais duas análises de comissões de avaliação, sendo que o resultado deve ser divulgado ainda esse mês e contempla uma bolsa de R$ 1 milhão.

Segundo a arquiteta Ariane Pedrotti, um dos maiores desafios para concretizar esse plano é a falta de ligação vertical entre os cincos pavimentos e as inúmeras escadas que compõem a estrutura do patrimônio histórico. Para contornar essa situação, vai ser investido em um elevador panorâmico na lateral do prédio e rampas que não dependem de equipamentos ligados à luz elétrica para funcionar.

           

Curiosidades

 

  • O Castelinho possui um troféu denominado com seu nome que é a maior honraria do Poder Legislativo erechinense;
  • A prefeitura de Erechim possui uma miniatura do Castelinho com as cores originais no gabinete do prefeito;
  • O vestido da princesa, Laura Pezzin, da Corte Frinape 2022, possui traços da estrutura do prédio histórico;
  • No aniversário de centenário de Erechim foi inaugurado um monumento inspirado no prédio centenário na Praça Júlio de Castilhos. 

 

As quatro partes

A série de reportagens sobre o Projeto Castelinho, composta por quatro partes, traz uma recapitulação da história do prédio histórico e como a obra se encontra atualmente. A primeira parte é na edição de hoje, e na próxima semana as outras três.

A proposta foi desenvolvida pela estagiária de jornalismo, Bruna Rebonatto, realizada com uma pesquisa extensa em livros e com algumas fontes ligadas diretamente com o prédio histórico.

Além disso, foi feita captação de imagens do estado atual da obra, também foram utilizadas fotografias antigas cedidas pelo arquivo histórico e do filho do ex-chefe da Comissão de Terras, Antônio de Souza.

O trabalho contou com a supervisão do coordenador Geral de Jornalismo Jornal e TV Bom Dia, Rodrigo Finardi e com a orientadora do curso de jornalismo, da Universidade de Passo Fundo, Dr. Bibiana de Paula Friderichs.

 

 

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