Não pensem que foi fácil legalizar no Brasil a fitoterapia como prática de saúde, foram longos anos de trabalho árduo percorridos em caminhos espinhosos. E muito tem que se fazer ainda. Nada além do que fazer valer o conhecimento popular, o famoso “chá da vovó”, que mesmo tendo efeito certo e sabido, necessitou ser provado cientificamente.
Ai, voltemos ao passado, e perguntemos: como os índios tratavam e tratam a sua saúde?
Um amigo médico ao ler minha coluna, me fez um alerta “sobre a divulgação do uso das plantas medicinais, pois não passa de uma centena aquelas que já tem comprovação cientifica para serem recomendadas aos pacientes”. Assim sendo, pesquisando junto a ANVISA constata-se que temos apenas 71 plantas com ação medicinal pesquisadas e que podem ser prescritas em receituários médicos.
Como diria um gaúcho de quatro costados “barbaridade tchê”!
O país que detém a maior parcela da biodiversidade, em torno de 15 a 20% do total mundial, com destaque para as plantas superiores, nas quais detém aproximadamente 24% da biodiversidade. Entre os elementos que compõem a biodiversidade, as plantas são a matéria-prima para a fabricação de fitoterápicos e outros medicamentos. Além de seu uso como substrato para a fabricação de medicamentos, as plantas são também utilizadas em práticas populares e tradicionais como remédios caseiros e comunitários, processo conhecido como medicina tradicional. Além desse acervo genético, o Brasil é detentor de rica diversidade cultural e étnica que resultou em um acúmulo considerável de conhecimentos e tecnologias tradicionais, passados de geração a geração, entre os quais se destaca o vasto acervo de conhecimentos sobre manejo e uso de plantas medicinais.
Para se comprovar a eficácia de uma planta medicinal necessitasse no mínimo 10 anos de pesquisa, incluindo os testes com os seres humanos.
É sabido que a Alemanha é um dos países que usa muito os fitoterápicos em suas práticas médicas. Embora este país seja o berço das armas químicas usada na segunda guerra mundial, que depois derivaram para os agroquímicos.
Relatando o caso de um colega meu Engenheiro Florestal, que viajou pela Europa e Oriente Médio buscando vender madeira de eucaliptos. Quando estava na Alemanha, sentiu fortes dores nas juntas de um dos pés, o que seria segundo ele uma artrite. Não suportando a dor, foi consultar com um médico alemão. Este o receitou um vidro de comprimidos, e iniciou o tratamento. Depois de retornar ao Brasil, e sentindo melhoras, entre um mate e outro, ficou curioso e foi ler a bula do tal remédio. Qual foi sua surpresa? O medicamento era natural, um fitoterápico, pois estava escrito em latim o nome científico da planta, melhor árvore: Lueha divaricata, da família das Malvaceae.
Vou deixar em suspense para ver se alguém descobre que arvore é essa? E deixo até o meu contato de WhatsApp (54 999 909 899) para fazerem uma interlocução, dar depoimentos sobre que árvore seria, se já usaram como medicamento, e para qual a doença ou mal?
Embora o nosso país possua a maior diversidade vegetal do mundo, com cerca de 60 mil espécies vegetais superiores catalogadas (PRANCE, 1977), apenas 8% foram estudadas para pesquisas de compostos bioativos e 1.100 espécies foram avaliadas em suas propriedades medicinais (GUERRA et al., 2001). E pasmem, apenas 71 possuem comprovação cientifica e podem ser prescritas aos doentes.
As potencialidades de uso das plantas medicinais no Brasil são gigantescas, faltam estudos, pesquisas. Um dos motivos da nossa Amazônia ser cobiçada por outros países. E como diz aquele ditado: “dormindo em berço esplêndido! ”