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Opinião

A Nova Idade das Trevas

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JF Martignoni
Por JF Martignoni
Foto Arquivo pessoal

O cérebro humano não evoluiu significativamente desde a descoberta do fogo, como afirma Richard Wrangham, primatólogo britânico e professor de Antropologia Física na Universidade Harvard em seu livro ‘Pegando Fogo - Como Cozinhar Nos Tornou Humanos’ (2009), desde então nossa evolução como espécie se deu através da descoberta e repasse do conhecimento. Nossa cultura evoluiu até aqui, sem adquirir conhecimento seriamos meros primatas disputando carcaças deixadas por caçadores melhores.

Para que aprendermos sozinhos a caçar e dedicar nossa vida a isso, se alguém que já caçou durante toda a vida e aprendeu com quem fez o mesmo pode nos ensinar a fazer melhor em uma semana? Essa metáfora se estendeu que chega, mas somos o que nos ensinaram. Milhares de anos de aprimoramentos nos deram uma base estável para estarmos aqui e fazermos nossas próprias mudanças que se refletirão nos que estão por vir.

Partindo disto é alarmante a desconfiança crescente perante a ciência e os meios oficiais de comunicação, os lugares onde o que reproduz segue regulamentação e/ou metodologia empírica. Vemos pessoas que nunca dedicaram um final de semana para o estudo de uma patologia questionar médicos que dedicaram sua vida para a criação de uma vacina capaz de evitar uma pandemia. Professores qualificados e premiados em suas áreas serem menosprezados e suas teses descartadas com base no achismo de uma massa que prefere acreditar em mensagens de redes sociais sem nenhuma evidência ou embasamento.

Tive o privilégio de conviver com jornalistas durante esta última eleição e ver o regulamento rigoroso que leram, releram, e seguiram à risca em busca de manter a total neutralidade em sua averiguação e disseminação dos fatos durante a campanha. A lei pune severamente quem quer embaçar a verdade neste meio, algo que não existe no discurso de bar e nas mensagens trocadas em aplicativos.

Também tive o privilégio de cursar uma faculdade, onde tive diversos mestres nos repassando o que suas fórmulas mostraram verdadeiras em uma vida de estudo, e do estudo de outros muitos mestres que vieram antes deles e criaram maneiras de comprovar o que desconfiavam e uma metodologia para se avaliar se algo é real, não há espaço para opinião na ciência, apenas fatos. Os professores têm uma das missões mais sérias da sociedade, formar mentes pensantes capazes de verem as provas que baseiam sua opinião, e através do conhecimento decidir mudar ou descobrir que estava certo. Não basta eu achar algo por orgulho ou convicção forte, se acredito numa mentira ela nunca se tornará uma verdade.

Com a queda do Império Romano o poder ficou dividido entre os grandes donos de terras, e uma instituição acabou sendo a maior dona de terras, a Igreja Católica. Neste período eles decidiram que só as convicções deles eram verdadeiras e negaram a ciência e tudo que foi descoberto no passado, por acharem que era tudo mentira e heresia. Houve fome, pestes e guerras onde milhares morreram em vão sendo a única culpada a ignorância. Este período foi registrado nos livros de história como Idade das Trevas.

Roma era o auge da civilização, e este pesadelo seguiu sua queda. Hoje vivemos o auge da civilização moderna, mas com a tendência de renegar as fontes de conhecimento regulamentadas e empíricas, estamos dando os primeiros passos para a Nova Idade das Trevas e desta, nada garante que sairemos.

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