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Opinião

Contribuições dos Arquivos Históricos para o ensino de História IV

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Por Henrique Trizoto
Foto Divulgação

A quarta parte da análise das contribuições dos Históricos para o ensino de História, discorremos sobre a função / importância das práxis adotadas pelos profissionais da área, principalmente relacionadas a concepção que embasa a produção da identidade nacional, em um cenário globalizado e repleto de novos fluxos imigratórios.

Nadai (1993) aponta o cenário anterior a estes processos destacando o papel das representações no ensino de história, que procuravam expressar as ideias de nação e de cidadão estavam embasadas na identidade comum de seus variados grupos étnicos e classes sociais constitutivos da nacionalidade brasileira. O fio condutor do processo histórico centralizou-se, assim, no colonizador português e, depois, no imigrante europeu e nas contribuições parietárias de africanos e indígenas. 

A historiografia oficial de Erechim, por exemplo, é fundada e fundamentada nesta concepção, como vimos nos artigos em que foram abordados a bandeira, o hino e o brasão de Erechim. Todavia, com o quadro pós-moderno e suas identidades fluídas, as lutas sociais são cada vez menos por transformações globais e cada vez mais por problemas individuais. Fala ainda das identidades não razoáveis, e razoáveis, e de “[...]retirar o jovem do presente contínuo, é abrir as portas para a sensibilidade em relação ao passado e a compreensão da dinâmica do tempo” (CERRI, 2010, p.116).

A relação intrínseca entre ciência especializada e cotidiano passou a ser questionada por grupos caracterizados pelo negacionismo e diametralmente afeitos a suspeição de todo e qualquer conhecimento científico. Ignorando por exemplo a concepção proposta por Moscovici (2003) de indissociabilidade do binômio sujeito e objeto.

 Mazotti (2002, p. 17) aprofunda a concepção de Moscovici (originalmente publicada em 2000) ao apontar que “um objeto não existe por si mesmo, mas apenas em relação a um sujeito (indivíduo ou grupo); é a relação sujeito-objeto que determina o próprio objeto. Ao formar sua representação de um objeto, o sujeito, de certa forma, o constitui, o reconstrói em seu sistema cognitivo, de modo a adequá-lo aos seus sistemas de valores, o qual, por sua vez, depende de sua história e do contexto social e ideológico no qual está inserido”.

Portanto, as representações de um determinado grupo social estão vinculadas as concepções consolidadas por aqueles que detém o poder político, econômico e cultural deste grupo. O que amplifica a necessidade da construção de um processo de ensino que valorize a diferença, e que compreenda que a história não é uma, mas modificável a partir da ação humana. devendo o ensino de história ser gerido de forma que permita ao educando conhecer e interpretá-la, sendo assim um sujeito autônomo.

No(s) Arquivo(s) Histórico(s) para que isso seja posto em prática exige dos profissionais a construção de abordagens que apontem todas as nuances dos processos históricos que talharam o modus operandi da comunidade em que ele está inserido, apresentando e problematizando a narrativa oficial, acentuando a  importância do ensino de história para o desenvolvimento da consciência histórica, a partir do conhecimento dos modelos e principalmente do entendimento de que passado, presente e futuro são interligados e condicionados às experiências vividas.

Referências

CERRI, L.F. Ensino de história e consciência histórica: implicações didáticas de uma discussão contemporânea. Editora FGV, 2010.

NADAI, E. O ensino de história no Brasil: trajetórias e perspectivas. Revista Brasileira de História, São Paulo, v. 13, n. 25/26, p.143-162, set. 1992/ago. 1993.

MAZZOTTI, A. J. A. A Abordagem estrutural das representações sociais. Psicologia da Educação, São Paulo, PUC/SP, n. 14/15, p.17-37, 2002.

MOSCOVICI, S. Representações sociais: investigações em psicologia social, 5.ed. Petrópolis: Vozes, 2003.

 

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