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Opinião

Memórias de Viagem: Alemanha- Terra de Origens- Imigrantes Alemães no RS (Parte IV)

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Por Marlei Klein
Foto Divulgação

“Homens e mulheres com seus cabelos louros, pele sardenta e olhos azuis pisam o chão da estremadura meridional brasileira. Seus filhos correm e pulam, na alegria infantil das descobertas. A terra é dadivosa, o clima ameno. O rio e a selva uma policromia, lembrando as regiões avoengas do Reno, do Mosela...”

Reminiscências

Navegam...agricultores alemães irão colonizar o Rio Grande do Sul. São quase todos naturais da região do Hunsrück – Rio Reno. Vieram ao convite brasileiro, sugerido pela Imperial Princesa Dona Leopoldina. Aceitaram esperançosos. Atravessam o “Mar Tenebroso” dos antigos descobrimentos. Mar onde, lendas marujas, dizem navegar monstros que afundam navios e devoram os tripulantes.

A travessia

Embarcados no “Wilhelmine”, uma frágil embarcação, sentem náuseas e vertigens ao balanço das ondas e a primeira angústia da separação. Uma antecipada saudade aumenta-lhes uma sofrida maresia. Reúnem-se no convés e rompem em cantoria nostálgica. Formam um estranho grupo coral, de estranhas vozes. São desconhecidos entre si, mas agora aglutinados na mesma destinação. É a primeira leva de imigrantes para o Rio Grande do Sul – 39 pessoas no total. Olham para o horizonte e se perguntam: “Que mundo os receberá? Como encontrarão a terra e o clima desse Brasil convidativo? ”

Primeiros traços do Brasil

Depois de muitos dias de navegação, avistam a costa brasileira. É o Rio de Janeiro com sua paisagem deslumbradora! Ali permanecem alguns dias num local destinado aos imigrantes. Esperam, com grande expectativa, até conseguirem continuar a viagem. Uma embarcação frágil, de dois mastros, os conduzirá rumo ao Sul, a bordo do Protector.

Chegada ao Sul

O Protector passa pela “barra diabólica” à entrada do Rio Grande. Cruzam a Lagoa dos Patos, ‘mar’ de água doce. Atracam à margem esquerda do estuário do Rio Guaíba, no então chamado “Porto dos Casais”. São recebidos pelo Presidente da Província- José Feliciano Fernandes Pinheiro- e são considerados hóspedes do governo. Permanecem por ali uns dias e novamente embarcam.

Uns lanchões, de tosca madeirama, os transportam ao longo de estreito rio “que tem o som dos sinos”. Era chamado de Itapuí pelos silvícolas. Navegam rio acima e penetram na mata. Nas duas barrancas do sinuoso rio observam uma fauna muito estranha. Isso tudo é chamado pelos nativos bugres de Cururuai.

Viagem pelo Rio Sinos

É fácil imaginar a viagem, rio acima. Uma vegetação luxuriante, com árvores enormes e flores em profusão. Muitos animais povoando as margens: jacarés, capivaras, ratões de banhado, fuinhas e, sem dúvida, alguma cobra deitada preguiçosamente sobre um tronco caído. Ao vivo e em cores: garças, biguás, um mundo de pássaros coloridos. Um encanto! Um mundo novo à espera de quem fizera uma viagem de 12.000 quilômetros em busca de uma nova Pátria. Súbito, alarga-se o Sinos em forma de mansa e tranquila enseada.

Chegam ...na margem esquerda ...é o “Porto das Telhas” - o derradeiro desembarque. É o ponto final da longa e cansativa viagem. Toda essa descrição da viagem e da chegada foi baseada nos registros do Dr. Ramiro Frota Barcelos.

Data oficial da chegada

O dia 25 de Julho de 1824 é a data da chegada dos primeiros imigrantes alemães ao Rio Grande do Sul. A primeira leva com 39 pessoas foram: Miguel Kräme e esposa Margarida, católicos – João Frederico Höpper , esposa Anna Margarida  e filhos: Anna Maria, Christóvão e João Ludovico, evangélicos – Paulo Hammel, esposa Maria Teresa e filhos: Carlos e Antônio, católicos – João Henrique Otto Pfingsten, esposa Catarina e filhos: Carolina, Dorothea, Catarina, Maria, evangélicos – João Christiano Rust, esposa Joana Margarida e filhas: Joana e Luiza, evangélicos – Henrique Timm, esposa Margarida Ana, filhos: João Henrique , Ana Catarina, Catarina Margarida, Jorge e Jacob, evangélicos – Augusto Timm, esposa Catarina, filhos: Christóvão e João, evangélicos -  Gaspar Henrique Bentzen, a esposa faleceu durante a viagem, um parente: Frederico  Gross e o filho: João Henrique, evangélicos – João Henrique Jaacks, esposa Catarina, filhos João Henrique e João Joaquim, evangélicos.           

Conclusão

A muita repetição de nomes se deve ao fato do grupo ter renunciado à nacionalidade alemã para poder emigrar. Assim, os seus nomes foram adaptados as suas novas certidões de brasileiros. O país destinatário lhes deu nova nacionalidade. O grupo foi encaminhado à Feitoria do Linho-Cânhamo, um lugar com ar de abandono. Essas 39 pessoas, 6 católicos e 33 evangélicos são os fundadores de São Leopoldo, nome e lugar então inexistentes. Um lugar nunca imaginado, gente de língua desconhecida e costumes estranhos.

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