A História de um país pode ser dividida tomando um fato divisor. No caso do Rio Grande do Sul, há um fato que pode servir de divisor: A chegada dos primeiros imigrantes alemães à então Província de São Pedro do Rio Grande, no dia 25 de julho de 1824. Este ano é o momento que permite fazer a divisão em “antes” e “depois”. Isso não significa que essa data esteja indicando que “antes” foi melhor ou pior. E que “depois” foi melhor ou pior. A data revela mudanças significativas que alteraram a história gaúcha para sempre.
Reminiscências
Com os imigrantes alemães houve, como em qualquer ser humano, o desejo natural de progredir, visualização de novos horizontes em razão de situações existentes na terra natal. Na família alemã havia o “Erbrecht”- o direito hereditário do filho mais velho. Como não houvesse mão-de-obra à disposição, famílias com muitos filhos originaram graves problemas de subsistência. Havia interesse do Brasil em trazer imigrantes europeus para o trabalho em suas terras. Muitos, na Alemanha, viram a oportunidade de buscar uma vida melhor.
Razões da emigração na Alemanha
O país enfrentou grande devastação com as Guerras Napoleônicas. Lavouras destruídas, moradias em chamas, mortes, dizimação da juventude masculina, a soldadesca deixando seus rastros junto ao elemento feminino. As piores devastações aconteceram ao longo do Rio Reno, por isso os renanos foram o maior grupo de imigrantes que aqui chegaram.
A emigração começou setenta anos depois da invenção da máquina a vapor, na Inglaterra. A máquina dispensa mão-de-obra e aconteceu grande desemprego. Os que não possuíam terras, também tiveram dificuldade com o emprego. Os artesãos perderam oportunidades, mas no Brasil foram muito importantes, porque lançaram as bases da industrialização.
Alemanha nessa época
O país não existia como unidade nacional. Havia reinados, principados, ducados independentes entre si. O que identificava a todos era a língua. Na Idade Média, predominavam os dialetos. Com Lutero, ao traduzir a Bíblia para que os alemães pudessem lê-la, criou-se a língua alemã ou, simplesmente, o alemão. Ao uniformizar o idioma, havia um elo comum entre todos os departamentos políticos vindos da Idade Média. Como todos falassem a mesma língua, mesmo com diferenciais de regiões, foram registrados como “alemães”.
Quem sabia na Renânia que o Brasil existia?
Nos meios políticos o Brasil era conhecido. A filha de Francisco II, último Imperador do Sacro Império Romano de Nação Alemã, ao mesmo tempo, Francisco I, primeiro Imperador da Áustria, da Casa dos Habsburgos, era casada com o jovem Imperador Pedro I- Brasil- da Casa de Bragança (Portugal). O nome da arquiduquesa Leopoldina Carolina Josefa casou com Dom Pedro, apenas príncipe, em 1817, por procuração, em Viena- Áustria. Seu nome ficou muito ligada à imigração alemã.
Leopoldina não era uma linda princesa, mas seria simpática, cabelos louros, olhos azuis, atenciosa, inteligente, cativante. Ela conquistou os brasileiros, que a consideraram uma “mãe” nessa sua nova pátria. Pelo fato de ela ser de origem germânica e ser Imperatriz do Brasil, deu ênfase à imigração alemã.
Por que alemães vieram ao Brasil
No sul do Brasil constantemente havia invasões e atividades bélicas para manter as fronteiras livres. Pensaram em imigrantes, mas portugueses seria impossível, pois o Brasil acabara de se emancipar de Portugal. Leopoldina era alemã e pensou em buscar imigrantes alemães para manter a defesa das terras e também aqui colonizar. Para proceder adequadamente, foi enviado à Alemanha Jorge Antônio von Schäffer. Sua missão foi exitosa, mas difícil. A Europa estava impedindo que seus soldados migrassem. Então, quem desejasse emigrar, deveria renunciar à nacionalidade e apresentar provas de que o país destinatário lhe daria nova nacionalidade. Queriam prevenir-se de responsabilidades.
A imigração começa com a Independência do Brasil
A planejada imigração alemã começou em agosto1822, quando Dom Pedro I trouxe, às escondidas uma leva de militares alemães, aqui registrados como colonos. A maioria veio para o Rio Grande do Sul. Mas, de 1824 a 1830, dez mil alemães foram recebidos no Brasil, estes como colonos e trabalhadores. O governo oferecia: passagem paga, concessão de cidadania e de lotes de terras livres e desimpedidos. Suprimento com primeiras necessidades materiais de trabalho e alguns animais. Isenção de impostos por alguns anos e liberdade de culto.
Conclusão
Muitos autores, principalmente descendentes de famílias alemãs, narraram a vida e a história dos seus imigrantes. Com a vinda desse povo ao Rio Grande criou-se uma nova situação promovida por essa gente culta, inteligente e respeitosa. Hoje, a língua alemã é uma necessidade em termos de ligações com a Europa, quer como atividade cultural ou como exportação e importação de produtos. “O homem precisa saber quem é, de onde veio e para onde vai. Caso contrário, fica solto no espaço, sem identidade”.