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Opinião

Memórias de Viagem: Alemanha – Terra de Origens – Imigrantes Alemães no RS- (Parte II)

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Por Marlei Klein
Foto Divulgação

“A luta que o homem desenvolve para marcar a sua passagem pela vida é muitas vezes mais importante para ele do que sucessos obtidos simplesmente para viver.  Ele tenta, com uma constância impressionante, alcançar esse ideal. É essência da sua formação. ”

Reminiscências

Já não eram os menos afortunados que emigravam. Só devia emigrar aquele que tivesse posses suficientes para bem começar uma vida nova numa pátria nova. Na Alemanha, começou a prevalecer o pensamento da liberdade individual de cada cidadão se fixar livremente. Assim, os estados começaram a dar assistência ao emigrante para lhe facilitar a adaptação na nova terra. Queriam, com isso, que não se rompessem os laços de parentesco e de amizade. Os laços de parentesco e de amizade ainda existem e são um dos elementos felizes para o relacionamento dos dois países.

Por que os alemães vieram

A grande imigração aconteceu entre os anos de 1824 e 1870. Mais da metade dos imigrantes alemães procede das regiões do Hunsrück e do Mosel- Rio Mosela, afluente do Reno. Eram agricultores e artífices numa só pessoa. Em consequência das partilhas de terras, suas propriedades agrícolas foram diminuindo, razão pela qual a agricultura, por si só, não mais podia sustentar a família.

Acrescido a isso, havia a baixa produtividade do solo. A escassez de terras aumentou o número dos aldeões em má situação econômica e que não encontravam ocupação. Por isso, a maioria viu na emigração a única saída para viver melhor.

Naturalmente não vieram apenas pessoas pobres, mas interessados em deixar o País. Declararam que o excesso de impostos, de toda a espécie, não era mais possível aguentar e que, no Brasil, não poderiam estar em pior situação.

Cartas dos imigrantes aos familiares

Cartas dos primeiros imigrantes aos seus parentes levaram outros habitantes do Hunsrück a emigrar. Um jovem seminarista escreveu que ele e o irmão haviam aprendido bem a língua portuguesa e estavam lecionando em língua portuguesa e alemã. Trata-se dos primeiros professores em ambas as línguas, em 1826.

As profissões dos primeiros imigrantes

Os imigrantes, que aqui chegaram até 1830, eram artífices, depois agricultores e poucos profissionais liberais. Entre os artífices, o ramo de tecidos- alfaiates e tecelões- é o mais fortemente representado, seguido pelo ramo de couros – sapateiros, curtidores, seleiros- e pelo ramo madeireiro –carpinteiros e marceneiros-. Esses três grupos profissionais representaram mais da metade de todos os artífices. Havia ainda: ferreiros, serralheiros, padeiros e açougueiros. Eles foram a origem das indústrias de metal, gêneros alimentícios e de construções. Vieram, também, antigos navegadores do Rio Reno e do Mosela e que estabeleceram um intenso movimento de navios entre São Leopoldo e Porto Alegre.

Começando a construir

Todas as profissões essenciais para edificar uma povoação estavam representadas. Tinham vindo também pessoas que sabiam fabricar ferramentas agrícolas e até mesmo construtores de moinhos. Esse trabalho artesanal iniciou a economia e o povoamento de pequenas vilas. Esse trabalho com dedicação ajudou muitos imigrantes a se tornarem abastados.

Os dialetos

Os rio-grandenses de descendência alemã foram marcados, na maioria, pela imigração procedente do Hunsrück. O dialeto desta região ainda é fortemente usual entre os alemães-brasileiros na maioria das regiões do Rio Grande do Sul, inclusive na grande Erechim. Os dialetos da Westfália e da Pomerânia são falados nos arredores de Estrela e de São Lourenço do Sul.

Colônias alemãs pelo brasil

Depois dos portugueses dos Açores, foram os alemães que vieram para o Rio Grande do Sul, em 1824. Fundaram os primeiros núcleos agrícolas, em regime de pequena propriedade individual, inspirados no forte espírito comunitário peculiar à sua própria natureza. Mas, antes, em 1812, muitos haviam chegado ao Estado do Espírito Santo, na Colônia de Santo Agostinho. Em 1818, na Bahia, na Colônia Leopoldina. Em 1822, em Ilhéus no sul baiano, fundaram a Colônia de São Jorge. Mas, seria o Rio Grande do Sul, pelas suas características de clima e solo, que conquistou mais alemães. Aqui, encontraram um ambiente melhor para criar o mundo novo que buscavam.

Conclusão

De um poeta francês: “ O verdadeiro amor pela sua terra não é o simples amor ao solo, mas o respeito às gerações que o fertilizaram”= “Die wahere Liebe zur Heimat zeigt sich nicht nur in der Liebe zur Scholle, sondern auch in der Würdigung der Geschlechter, die sie fruchtbar gemacht haben”.

 

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