14°C
Erechim,RS
Previsão completa
0°C
Erechim,RS
Previsão completa

Saúde

Hepatite viral: da prevenção ao acompanhamento

teste
Divulgação
Por Izabel Seehaber
Foto Divulgação

Enfermeira da secretaria municipal de Saúde, Sandra de Moraes, deixa alerta para pacientes sobre importância das revisões 

No Dia Mundial de Combate às Hepatites Virais, registrado em 28 de julho, a Secretaria Estadual da Saúde (SES/RS) reafirmou a importância da prevenção e da testagem para o diagnóstico da doença, com foco nas pessoas com mais de 40 anos de idade.

"Se você curtiu os anos 80, faça o teste das hepatites virais", é o slogan da campanha de prevenção este ano. A mensagem está presente no material informativo.

A diretora do Centro Estadual de Vigilância em Saúde (CEVS), Marilina Bercini, informa que o público-alvo, mais de 40 anos, foi estabelecido porque não havia disponibilidade da testagem para hepatite C antes de 1993. "Naquela época, também as campanhas de prevenção a fatores de risco como sexo desprotegido, utilização de materiais e instrumentos não esterilizados tinham alcance reduzido", lembra a diretora.

As hepatites virais são provocadas por vírus que atacam o fígado, causando inflamação. No Rio Grande do Sul, em 2015, foram confirmados 1.797 casos de Hepatite B e 2.881 casos de Hepatite C. 

Realidade em Erechim

Em Erechim, de acordo com a enfermeira responsável pelas ações de acompanhamento das hepatites virais, Sandra de Moraes, até o dia 26 de julho haviam 650 pessoas cadastradas como portadores de hepatite viral no município. Destas, em torno de 60% realiza acompanhamento médico.

Sandra comenta que na região do Alto Uruguai há prevalência de pessoas com hepatite do tipo B e que a doença pode se manifestar em todas as faixas etárias. Já as vacinas são concedidas às pessoas com até 49 anos de idade.

Considerando que a hepatite é, muitas vezes, uma doença silenciosa (em aproximadamente 70% dos casos não apresenta sintomas), a enfermeira reforça o alerta sobre a importância da vacinação e do teste. “Todo adulto deveria fazer o teste. Sabemos que o diagnóstico, se positivo, pode assustar, contudo, há possibilidade de tratamento oferecido inclusive pelo Sistema Único de Saúde”, destaca, salientando que aos pacientes devem fazer o acompanhamento e o ideal seria uma revisão anual.

Caso não seja efetuado o tratamento, a doença pode evoluir para lesões graves e até mesmo um tumor.

Conforme Sandra, foi registrado um aumento na procura por esclarecimentos em razão da melhor estruturação do serviço e suporte oferecido ao pacientes.

Os trabalhos referentes à prevenção da hepatite estão inseridos em um Programa de Saúde Pública do Ministério da Saúde, cujas ações permanecem durante todo o ano.

O setor de prevenção e acompanhamento dos pacientes com hepatite, da secretaria municipal de Saúde de Erechim, conta também com o trabalho do médico Carlos Henrique Azambuja.

Sobre as hepatites

São causadas por diferentes vírus, sendo os mais comuns o B e C, transmitidos principalmente por meio do sangue. A hepatite A tem baixa incidência, sendo um dos motivos do seu controle, a vacinação infantil.

As principais formas de contágio das hepatites são o compartilhamento de alguns materiais. No caso da hepatite B, por relação sexual sem o uso de preservativo. A hepatite B também pode ser transmitida de mãe para filho durante o parto, a chamada transmissão vertical. 

O diagnóstico dos casos pode ser feito na Atenção Básica de Saúde, e complementado nos Serviços de Atendimentos Especializados às Hepatites Virais. O SUS disponibiliza tratamentos para as hepatites B e C, de acordo com os protocolos estabelecidos pelo Ministério da Saúde.

Sintomas

Cansaço, febre, dor abdominal, tontura, enjoo ou vômito e icterícia, são os sintomas mais comuns. Porém, é possível que pessoas portadoras de hepatites não apresentem nenhum desses sinais. Por isso, a consulta médica e a realização de exames são essenciais para o diagnóstico precoce, capaz de evitar complicações.

Imunização e outras formas de prevenção

O Calendário Básico de Imunização Infantil prevê, desde 2104, a vacinação contra a hepatite A disponível nas Unidades Básicas de Saúde, em dose única, para todas crianças aos 12 meses de idade (ou até menores de 2 anos). A vacina pode ser administrada concomitantemente com outras vacinas do calendário de rotina.

Para a hepatite B, a vacina está disponível gratuitamente em todas as Unidades Básicas de Saúde para pessoas de todas as faixas etárias. A imunização para este tipo de hepatite é realizada em três doses, com intervalo de um mês entre a primeira e a segunda aplicação, e de seis meses entre a primeira e a terceira dose. Contra a hepatite C, ainda não há vacina.

Para prevenir casos de hepatite A, também deve-se melhorar as condições de higiene e de saneamento básico, como por exemplo:

- Lavar as mãos após ir ao banheiro, trocar fraldas e antes de comer ou preparar alimentos;

- Lavar bem, com água tratada, clorada ou fervida, os alimentos que são consumidos crus, deixando-os de molho por 30 minutos;

- Lavar adequadamente pratos, copos, talheres e mamadeiras;

- Não compartilhar utensílios pessoais;

- Evitar a construção de fossas próximas a poços e nascentes de rios, para não comprometer o lençol d'água que alimenta o poço. Deve-se respeitar, por medidas de segurança, a distância mínima de 15 metros entre o poço e a fossa do tipo seca, e de 45 metros, para os demais focos de contaminação, como chiqueiros, estábulos, valões de esgoto, galerias de infiltração e outros

Em relação às hepatites B e C, as ações de prevenção recomendadas são:

- Usar material esterilizado ou descartável nos consultórios médicos, odontológicos, acupuntura, barbearias, salões de manicure/pedicure, locais de realização de tatuagens e colocação de piercings;

- Não compartilhar escovas de dente, lâminas de barbear ou de depilar;

- Não compartilhar equipamentos para uso de drogas (agulhas, seringas, cachimbos ou canudos);

- Usar preservativos nas relações sexuais.

Leia também

Publicidade

Blog dos Colunistas