Enfermeira da secretaria municipal de Saúde, Sandra de Moraes, deixa alerta para pacientes sobre importância das revisões
No Dia Mundial de Combate às Hepatites Virais, registrado em 28 de julho, a Secretaria Estadual da Saúde (SES/RS) reafirmou a importância da prevenção e da testagem para o diagnóstico da doença, com foco nas pessoas com mais de 40 anos de idade.
"Se você curtiu os anos 80, faça o teste das hepatites virais", é o slogan da campanha de prevenção este ano. A mensagem está presente no material informativo.
A diretora do Centro Estadual de Vigilância em Saúde (CEVS), Marilina Bercini, informa que o público-alvo, mais de 40 anos, foi estabelecido porque não havia disponibilidade da testagem para hepatite C antes de 1993. "Naquela época, também as campanhas de prevenção a fatores de risco como sexo desprotegido, utilização de materiais e instrumentos não esterilizados tinham alcance reduzido", lembra a diretora.
As hepatites virais são provocadas por vírus que atacam o fígado, causando inflamação. No Rio Grande do Sul, em 2015, foram confirmados 1.797 casos de Hepatite B e 2.881 casos de Hepatite C.
Realidade em Erechim
Em Erechim, de acordo com a enfermeira responsável pelas ações de acompanhamento das hepatites virais, Sandra de Moraes, até o dia 26 de julho haviam 650 pessoas cadastradas como portadores de hepatite viral no município. Destas, em torno de 60% realiza acompanhamento médico.
Sandra comenta que na região do Alto Uruguai há prevalência de pessoas com hepatite do tipo B e que a doença pode se manifestar em todas as faixas etárias. Já as vacinas são concedidas às pessoas com até 49 anos de idade.
Considerando que a hepatite é, muitas vezes, uma doença silenciosa (em aproximadamente 70% dos casos não apresenta sintomas), a enfermeira reforça o alerta sobre a importância da vacinação e do teste. “Todo adulto deveria fazer o teste. Sabemos que o diagnóstico, se positivo, pode assustar, contudo, há possibilidade de tratamento oferecido inclusive pelo Sistema Único de Saúde”, destaca, salientando que aos pacientes devem fazer o acompanhamento e o ideal seria uma revisão anual.
Caso não seja efetuado o tratamento, a doença pode evoluir para lesões graves e até mesmo um tumor.
Conforme Sandra, foi registrado um aumento na procura por esclarecimentos em razão da melhor estruturação do serviço e suporte oferecido ao pacientes.
Os trabalhos referentes à prevenção da hepatite estão inseridos em um Programa de Saúde Pública do Ministério da Saúde, cujas ações permanecem durante todo o ano.
O setor de prevenção e acompanhamento dos pacientes com hepatite, da secretaria municipal de Saúde de Erechim, conta também com o trabalho do médico Carlos Henrique Azambuja.
Sobre as hepatites
São causadas por diferentes vírus, sendo os mais comuns o B e C, transmitidos principalmente por meio do sangue. A hepatite A tem baixa incidência, sendo um dos motivos do seu controle, a vacinação infantil.
As principais formas de contágio das hepatites são o compartilhamento de alguns materiais. No caso da hepatite B, por relação sexual sem o uso de preservativo. A hepatite B também pode ser transmitida de mãe para filho durante o parto, a chamada transmissão vertical.
O diagnóstico dos casos pode ser feito na Atenção Básica de Saúde, e complementado nos Serviços de Atendimentos Especializados às Hepatites Virais. O SUS disponibiliza tratamentos para as hepatites B e C, de acordo com os protocolos estabelecidos pelo Ministério da Saúde.
Sintomas
Cansaço, febre, dor abdominal, tontura, enjoo ou vômito e icterícia, são os sintomas mais comuns. Porém, é possível que pessoas portadoras de hepatites não apresentem nenhum desses sinais. Por isso, a consulta médica e a realização de exames são essenciais para o diagnóstico precoce, capaz de evitar complicações.
Imunização e outras formas de prevenção
O Calendário Básico de Imunização Infantil prevê, desde 2104, a vacinação contra a hepatite A disponível nas Unidades Básicas de Saúde, em dose única, para todas crianças aos 12 meses de idade (ou até menores de 2 anos). A vacina pode ser administrada concomitantemente com outras vacinas do calendário de rotina.
Para a hepatite B, a vacina está disponível gratuitamente em todas as Unidades Básicas de Saúde para pessoas de todas as faixas etárias. A imunização para este tipo de hepatite é realizada em três doses, com intervalo de um mês entre a primeira e a segunda aplicação, e de seis meses entre a primeira e a terceira dose. Contra a hepatite C, ainda não há vacina.
Para prevenir casos de hepatite A, também deve-se melhorar as condições de higiene e de saneamento básico, como por exemplo:
- Lavar as mãos após ir ao banheiro, trocar fraldas e antes de comer ou preparar alimentos;
- Lavar bem, com água tratada, clorada ou fervida, os alimentos que são consumidos crus, deixando-os de molho por 30 minutos;
- Lavar adequadamente pratos, copos, talheres e mamadeiras;
- Não compartilhar utensílios pessoais;
- Evitar a construção de fossas próximas a poços e nascentes de rios, para não comprometer o lençol d'água que alimenta o poço. Deve-se respeitar, por medidas de segurança, a distância mínima de 15 metros entre o poço e a fossa do tipo seca, e de 45 metros, para os demais focos de contaminação, como chiqueiros, estábulos, valões de esgoto, galerias de infiltração e outros
Em relação às hepatites B e C, as ações de prevenção recomendadas são:
- Usar material esterilizado ou descartável nos consultórios médicos, odontológicos, acupuntura, barbearias, salões de manicure/pedicure, locais de realização de tatuagens e colocação de piercings;
- Não compartilhar escovas de dente, lâminas de barbear ou de depilar;
- Não compartilhar equipamentos para uso de drogas (agulhas, seringas, cachimbos ou canudos);
- Usar preservativos nas relações sexuais.