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Opinião

Alemanha – Terra De Origens – Imigrantes Alemães no RS (Parte I)

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Por Marlei Klein
Foto Divulgação

“Porto Alegre, capital do Estado do Rio Grande do Sul, centro de atração do desenvolvimento gaúcho e síntese do espírito europeu em terras brasileiras = Porto Alegre, hauptstadt des Staates Rio Grande do Sul, magnetisches zentrum des fortschritts der “Gaúchos” und ausdruck europäischens geistes auf brasilianischer erde”

 

Reminiscências

Provindos em sua maioria de regiões muito pobres, os alemães trouxeram para o novo continente muito pouco além da sua simplicidade, da dedicação ao trabalho e de uma grande confiança em sua sorte no Brasil. Suportaram o clima diferente, venceram a mata virgem, as doenças e o isolamento. Com tenacidade, com persistência e com fé, eles criaram um novo mundo próspero e feliz.

 

De onde vieram os alemães

As condições socioeconômicas, na Alemanha, levaram muita gente a procurar uma nova pátria. Além do Brasil foram para outros países como os Estados Unidos, o Canadá e a Argentina. Mas, as causas da migração não foram só essas. Os problemas econômicos e sociais são os mais evidentes e sensíveis. Pois, apesar das descobertas das técnicas, da intensa industrialização e da consequente revolução social, os anos 1800 se caracterizaram por guerras, destruição, fome, doenças.

 

Explosão demográfica

A vacinação obrigatória das crianças, decretada por Napoleão, iniciou nas regiões alemãs ocupadas pelos franceses. O resultado foi uma extraordinária redução da mortandade infantil e consequente aumento da população. Justamente nas regiões compreendidas entre os Rios Reno, Mosela, Saar e Lahn- a chamada Região do Hunsrück- foi de onde chegaram as primeiras levas dos migrantes.

 

Região do Hunsrück

É uma região próxima da França e sofreu grande influência política, principalmente a libertação da dominação feudal- dominação de nobres-. Mas, por várias razões, o processo de transformação para a propriedade individual foi muito lento e difícil. Na Alemanha só aconteceu em 1848. Ano em que se começa a substituir a expressão “súdito” e “vassalo” por “cidadão” para designar uma nova condição social.

 

Propriedade individual

Esta não trouxe, de início, o progresso material, mas se caracterizou durante muitos anos por um depauperamento geral. Foram muitas colheitas fracassadas, o gado era dizimado por doenças e os trigais atacados de ferrugem. As propriedades eram parceladas cada vez mais entre os herdeiros, com todas as consequências danosas do minifúndio. Durante a nobreza, o latifúndio não beneficiara as populações, por sua vez, o minifúndio agravou a situação social dos novos cidadãos.

 

Consequências das muitas guerras

Elas fizeram com que fossem aumentados os tributos e instituíram o serviço militar obrigatório. Quando não havia guerras, as autoridades comunais e estaduais cobravam altos tributos para as reconstruções. Muitos dos antigos privilégios, ainda concedidos pela nobreza, foram aos poucos eliminados na lenta transição para o estado democrático e social.                         

 

Ser cidadão moderno não era privilégio

Os simples camponeses tiveram o direito de recolher lenha nas florestas para o aquecimento, para as cozinhas e a feitura de utensílios agrícolas. Podiam recolher pedras e areias para construções. Levar rebanhos de porcos e de gado para pastagens. Tinham o direito da caça de animais de pequeno porte e outros privilégios. Aos poucos, tudo começou a ser revogado. A situação agravou-se cada vez mais. Como consequência, a ideia da emigração se fortaleceu sempre mais.

 

Migração dos povos

As principais causas da migração de alemães para o Brasil, sempre foram os desajustes sociais e econômicos. Mas, muito pesaram as perseguições políticas, religiosas e o espírito de aventura e de conquista. Mas, outros países aproveitaram de maneira diferente. Foi o que aconteceu com Portugal. Este país livrou-se de presidiários nos seus ensaios de ocupação e colonização da Terra de Santa Cruz. O Brasil se revelou um país aberto e hospitaleiro.

 

Conclusão

Os imigrantes alemães teriam vindo ao Brasil com o simples espírito de aventura e de conquista? Teriam vindo só os desajustados sociais e os marginalizados nas finanças e na economia? Só os aventureiros? Não teria havido motivações psicológicas e espirituais mais elevadas do que a angustiosa busca de novas possibilidades de vida? O fato é de que as correntes imigratórias alemãs para o Brasil perduraram também quando a crise na Alemanha já tinha sido superada. Assim, aconteceu uma elevação cultural das mesmas: já não se tratava do agricultor desesperado, mas do artesão, do mestre-escola, do intelectual, médicos como o Dr. Hildebrand, o Dr. Blumenau e o jornalista Von Koseritz são exemplos da intelectualização dos imigrantes. Foi uma resolução pensada e definitiva.

 

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