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Opinião

De Igreja Matriz à Catedral: a História de uma Lembrança (I)

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Henrique Trizoto
Por Henrique Trizoto
Foto Divulgação

Evoco a poesia “Marretadas na alma” do Prof. Enori Chiaparini contida no Artigo Padre Busato: um protagonista na história de Erechim – 1926-1950 (CIMA, 2003, p.118) para falar acerca da Histórica Igreja Matriz São José, que mesmo demolida a aproximadamente 55 anos, ainda continua povoando o imaginário, as mentes e os corações daqueles que moram, moraram ou conhecem Erechim.

Manhãs de domingo, passos seguindo

Fé e devoção.

Cenário de encanto, vejo teu manto,

Rosário na mão.

Torres de aço, flutuam no espaço,

Puro esplendor.

Os Beatles, cantam, encantam

Um mundo de amor.

Vozes enérgicas, ordenam, condenam

Coordenam

Homens suados, cansados, acertam

Relicários

Há sussurros, silêncios secretos,

Vozes paradas.

Há vidas e cinzas nas marretas

Guardadas...

Esforço, luta, trabalho, conquista,

Estupor!

Passado de fibra, agora sem vida, jaz

Sem valor...

Em cada verso, em cada estribilho,

Diz ao teu filho...

Tempo cumprido, tempo perdido,

Dói na memória.

Geração sofrida, com alma ferida, resuma

Tua dor, no livro de História!

Na nossa análise, buscaremos transitar de pela historiografia oficial e pelo imaginário que compõe nosso objeto de estudo. Primeiramente faremos um apanhado geral sobre o histórico da Igreja Matriz / Catedral São José: temos em 1913, a inauguração da primeira capela católica (capitel), mais precisamente no dia 13 de junho de 1913, sendo iniciativa da pioneira Elisa Vacchi, esta igreja localizava-se no início da atual rua Torres Gonçalves e o padroeiro era Santo Antônio.

Em 1915, foi construída outra igreja, no local da atual casa paroquial, em 1919, o Bispo de Santa Maria, Dom Miguel de Lima Valverde, criou a paróquia de Erechim, e acolhendo São José como padroeiro. Em 1927, foi iniciada a construção da Igreja Matriz São José, de alvenaria, de 45 m por 20 m - 945 m². A conclusão da obra se deu em 1935. Na moeda da época, custou 690 contos de réis¹. Na sua construção, foram utilizadas cerca de dez toneladas de cimento importados da Alemanha na obra, a cal utilizada vinha de Curitiba e Caçapava, os tijolos de Capinzal, colunas, capitéis e florões de Porto Alegre e os três sinos de aço fundido que receberam o nome de Jesus, Maria e José vieram da cidade de Bochum na Alemanha.

Mais do que uma igreja, ela foi um elemento de união entre os fraternos do catolicismo, temos no levantamento da Professora Sônia Cima em sua obra “Reza e política: uma combinação da história do padre Busato em Erechim” (2003) uma listagem de todas as famílias que contribuíram de maneira direta e indireta para a sua construção. Houve o sentimento de participação, de inserção em um trabalho maior. Neste sentido, a igreja tornou-se para os membros da paróquia uma espécie de propriedade coletiva identitária.

Pesa ainda a todos estes sentimentos identitários, os aspectos estéticos da igreja, que era dotada de uma beleza ímpar, tanto interna quanto externamente. O domingo pela manhã tradicionalmente começava com uma missa e depois os jovens faziam o footing pela Avenida Maurício Cardoso e a Praça Júlio de Castilhos. Rapazes e moças nesses passeios embalavam seus sonhos de encontrar um par e casar na bela Igreja Matriz São José. O simbolismo extrapolava as fronteiras religiosas e adentrava pelos aspectos sociais, econômicos e políticos.

Referências

CIMA, Sônia Mári. Padre Busato: um protagonista na história de Erechim – 1926-1950. Semina, Passo Fundo, 2002.

CIMA, Sônia Mári. Reza e política: uma combinação da história do padre Busato em Erechim. Passo Fundo, EdiUPF, 2003.

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