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Opinião

Sapateiro de Bruxelas e os Eleitores Indecisos

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Dr. Alcides Mandelli Stumpf
Por Dr. Alcides Mandelli Stumpf
Foto Divulgação

Na conversa de hoje com os amigos do cafezinho, o Sapateiro de Bruxelas discorre sobre temas metafísicos, ou àqueles que envolvem a transcendência da natureza física das coisas. Tal provocação surge quando grandes mistérios e dúvidas acometem significativa parcela de eleitores ainda indecisos e cada vez mais confusos ante as claras manipulações das pesquisas eleitorais, das eternas desconfianças que pairam sobre as Urnas Eletrônicas e a impossibilidade de auditagem dos votos, além de atitudes exóticas de alguns magistrados e o ostensivo comportamento parcial da grande imprensa.

De início o artesão discorre sobre a dualidade humana, de modo a distinguir claramente as diferenças ou descompassos entre nossos corpos animais e nossa inteligência criativa e racional.

Nos diz o mestre, do alto de sua experiência vital, que através da simples observação atenta e consequente dedução lógica, facilmente, pode-se descobrir e confirmar que somos parte alma - e, portanto, transcendente-, e outra parte animal irracional - naturalmente limitada.

Salienta ainda que tais partes são distintas, porém acopladas uma à outra, ou ainda, sobreposta uma a outra, embora absolutamente distintas e por vezes opostas em seus desejos, reações e gratificações.

Ressalta o Belga que segundo a Bíblia, somos feitos à imagem e semelhança de Deus. Tal afirmativa, por si só, deveria definir a total supremacia da parte espiritual sobre a parte física, ou não haveria sentido para nossa diferenciação biológica dentre as demais espécies que compõem o restante da fauna, que segundo consta, não foi tratada com o mesmo acuro, dedicação e denodo do Criador.

Portanto, o conflito entre a substância corporal (que veio do barro) e o espírito etéreo e imaterial, azucrina, atrapalha e obstrui o bom desenvolvimento e a realização plena do conjunto da obra divina.

Também foi dito no Livro Sagrado que a carne é fraca e, portanto, não provida de sentimentos nobres ou pensamentos elevados. Ao mesmo tempo é no corpo que acontecem as experiências e sensações que proporcionam as inclinações, vontades, deleites e gostos que, muitas vezes, contaminam o espírito e nos igualam aos piores animais.

Prova fática e didática dessa dicotomia primordial são alguns pecados que constam no rol de diferentes religiões:

Entre as faltas mais execráveis, o bruxelense destaca a luxúria, os prazeres carnais, a permissividade sexual, além da inveja, soberba e vaidade. Avareza, ira ou fúria são típicas manifestações de comportamentos primitivos e agressivos.

Porém, segundo o artesão a preguiça - avessa a qualquer esforço físico ou mental - deteriora e decompõe tanto corpo quanto a mente. E observem que não faltam vagabundos nesse mundo, que além de não servirem para nada, tentam induzir os demais seres humanos a seguirem sua senda de inutilidade, destruição e mentiras.

Posto isso e considerando que deveremos exercer conscientemente o direito cívico do voto nos próximos dias, torna-se absolutamente aconselhável que os eleitores indecisos ou que permanecem encima do muro, adotem um posicionamento preponderante humano, propositivo e equilibrado, de modo a consumar a melhor opção.

Questões como corrupção, aborto, liberdade religiosa, erotização infantil, drogas, propriedade privada e família, ao entender do bruxelense, não requerem aprofundamentos metafísicos ou transcendentes.

O reposicionamento íntimo de cada indeciso ou “murista” será definitivo no cômputo final. Portanto a escolha daqueles que persistem no limbo eleitoral, deve ser feita à luz da sabedoria, guiada pela racionalidade e isenta de paixões anímicas e mundanas.

De forma natural, na consciência de cada um, deverá prevalecer a virtude e não a besta. Simples assim – explica o velho sábio. 

E arremata: “É importante que todos votemos movidos pela ética e com o pensamento voltado para o futuro físico e espiritual de nossos filhos e netos”.

Por favor, não abram mão da liberdade, a maior dádiva recebida pela espécie humana! - assinala o velho Sapateiro de Bruxelas ao despedir-se dos amigos do cafezinho.

Conclui, citando Platão no seu francês natal: “Personne n’est plus détesté que celui qui dit la vérité”; ou dito em português: “Ninguém é mais odiado do que aquele que diz a verdade”.

 

Dr. Alcides Mandelli Stumpf, Médico,

Membro da Academia Erechinense de Letras,

Vice-presidente da A.A. da Biblioteca Pública do RS.

 

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