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Opinião

Que Lance!!!

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Por Neusa Cidade Garcez
Foto Divulgação

Neusa Cidade Garcez

Escritora - Historiógrafa Concursada e Aprovada - URI Membro da Academia Erechinense de Letras

Na Academia Erechinense de Letras, convivo com colegas e amigos cujos textos primorosos me acrescentam conhecimentos e me conduzem ao sempre ler e estudar. Igualmente provocam minhas lembranças adormecidas a trazer ao hoje, fatos de ontem.

Um dos últimos textos do Acadêmico e jornalista José Adelar Ody, abordando em seu livro os “Atlangas”, proporcionou meu reencontro com o extraordinário jornalista esportivo e ser humano Ruy Carlos Ostermann.

Meu pai grande aficcionado ao futebol e outros esportes, sempre com seu pequeno rádio ligado na Guaíba, ou Farroupilha, nos acostumou a amar tudo o que se relacionava aos esportes. Com a chegada da televisão a nossa casa, nosso universo esportivo se ampliou enormemente.

As corridas da Fórmula 1, sempre eram assistidas, sem perder uma. A cada temporada surgia um novo ídolo. Senna foi e é inesquecível. Mônaco e Spa Francorchamps meus circuitos preferidos. Imola, quero esquecer com sua antiga curva Tamburello. Vôlei, Basquete, Natação, Ginástica Artística, tudo me prende atenção.

Quando éramos crianças e não havia papel ofício em nossa casa, minha irmã e eu víamos nosso pai, escrever (com sua linda e firme letra) nas gavetas dos poucos móveis que possuíamos os resultados dos jogos de domingo: de Erechim, Porto Alegre, Rio, São Paulo. Até hoje guardo um lindo balcão fabricado por meu pai, onde nos lados das gavetas estão seus registros. Outros móveis foram reformados e a tinta laca cobriu o passado.

Nas transmissões de futebol ou nos comentários dos programas esportivos, a voz calma e a sabedoria elegante de Ruy Carlos Ostermann me explicou por inúmeros anos, tudo o que eu não sabia.

Ranzolin era outro dos meus preferidos. Lauro Quadros com seu modo peculiar era um dos que eu ouvia com atenção. Sempre lembro que quando um jogo terminava em zero a zero, Lauro informava “O jogo tal terminou em OXO.” Ele pronunciava exatamente assim a palavra OXO.

Eu admirava e respeitava Paulo Santana. Entretanto me irritava seu narcisismo e seu modo melodramático de desmaiar quando o Grêmio era campeão de algo.

Outro comentarista que eu ouvia, sem piscar, era Celestino Valenzuela, com seu lápis nas mãos e seu termo inesquecível quando algo muito bom acontecia em campo: “Que lance”!!

A seleção brasileira era amada em minha casa. Sua escalação era sabida de cor. Tempos em que jogavam pela camisa e com pouco dinheiro.

Hoje acompanho mais a Messi, Cristiano Ronaldo e outros, como o goleiro Alisson, Lewandowski, Salah e claro, Neymar, descontadas as suas infantilidades.

Por gostar tanto de futebol, fomos liberadas de uma situação embaraçosa. Visitávamos pela primeira vez Peru e Chile. Proibiam transportar frutas e objetos de palha. Em cada departamento a ser passado a Aduana, entravam soldados e cães. Numa dessas ocasiões, minha irmã com muita náusea com o balançar do péssimo ônibus, escondera alguns limões. Dois deles caíram e rolaram até os pés de um soldado. Tivemos que descer no meio da noite e em um barracão fomos admoestadas com maus modos, até que um dos interrogadores falou em Brasil, carnaval e em nosso ponto forte: o futebol. Comentamos sobre Don Elias Figueiroa, Pelé e tantos bons jogadores brasileiros da época. Fomos acompanhadas até o ônibus e minha irmã ficou de posse dos seus limões. Salvas pelo futebol!!

 

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