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Opinião

Memórias de Viagem: Alemanha- Terra de Origens- Heidelberg (Parte IX)

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Por Marlei Klein
Foto Divulgação

A migração dos povos tem suas principais causas nos desajustes sociais, econômicos, nas perseguições políticas ou religiosas, em alguns casos também no irresistível espírito de aventura e de conquista. No caso específico da imigração alemã, para o sul do Brasil, teria sido a miséria, as guerras, o serviço militar obrigatório, as proibições e os altos impostos.

Reminiscências

Muitos imigrantes, que aqui chegaram, vieram do Estado de Baden-Württemberg. É uma região de maiores atrativos paisagísticos da República Federal da Alemanha. A Floresta Negra é uma região das mais apreciadas. Assim como, o Lago Constança, a diversidade dos vales do Rio Reno, do seu afluente Neckar e do Rio Danúbio. Muito marcante é a região montanhosa do Kaiserstuhl na planície do Alto Reno, célebre por seus vinhos. Uma das cidades mais importantes é HEIDELBERG, um lugar de onde o tempo não foi esquecido.

 

Heidelberg

Está situada às margens do Rio Neckar, afluente do Reno. É fácil esquecer que já estamos no século XXI. A história respira em cada canto dessa cidade que resistiu intacta à Segunda Guerra Mundial. Ruas, igrejas, praças e residências guardam marcados séculos.

Nos seus arredores foi encontrado, em 1907, o maxilar inferior do homo heidelbergensis, de 600 mil anos, testemunho mais antigo da vida humana na Europa. O domínio local passou por celtas, romanos e germanos. Foi lá, em 1518, que Martinho Lutero apresentou teses que foram os princípios da Reforma Protestante. Era muito procurada por músicos e escritores por ser o Modelo do Romantismo do século XIX.

 

Atrações turísticas

A principal são as ruínas do Castelo de Heidelberg que emergem de verde montanha nos arredores. Outra é o Grösses Fass considerado o maior barril do mundo, com 7 metros de diâmetro e capacidade para 221.726 litros de cerveja. Muita gente vai embora, enxergando antes o Pequeno Barril, também enorme, pensando ser ele. A bebida era bombeada pelo encanamento a uma sala superior. Na parede, há uma estátua do Anão Perkeo, beberrão incorrigível. Foi bobo da corte no século XVIII. Este teve seu nome na origem da resposta que dava, ao lhe oferecerem uma taça de vinho, produto nobre da região: “Perche no? ” Segundo a lenda o bufão morreu quando lhe convenceram a tomar água.

Outro passeio lindo é pelos jardins ao redor das ruínas, considerados a oitava maravilha do mundo antes dos ataques na Guerra dos 30 Anos, no século XVII. Do outro lado do Neckar- que deságua no Reno- está o Monte Sagrado, o qual pode ser percorrido pelo Caminho dos Filósofos. Este oferece vista para as ruínas, para a montanha, da cidade e do rio. A ponte antiga tem um belo portão, cujas torres foram construídas com a muralha medieval que protegia a cidade. Ela é de 1788 e possui a estátua de um macaco com um espelho que saúda os turistas. De abril a agosto, acontecem muitos festivais de música e encenações, como a montagem adaptada de “O Nome da Rosa” de Umberto Eco.

 

Castelo de Heidelberg

Está numa montanha em ruínas. Para chegar a elas, pode-se subir a pé por uma escadaria junto à Praça Kornmarkt ou utilizar um dos funiculares mais antigos do país, instalado em 1890, e descer na estação Schloss. O teleférico sobe ainda mais chegando a 550 metros acima do nível do mar, topo da segunda maior montanha do bosque Oden. O conjunto arquitetônico do palácio, construído entre 1400 e 1620 por sucessivos príncipes é protegido por um muro de 7 metros de espessura. Apresenta o estilo gótico e o renascentista.

Dessa última escola nasceram duas das fachadas mais impressionantes: a frente da primeira é ornamentada por esculturas de heróis do Velho Testamento, virtudes e deuses antigos. A segunda fachada por 16 estátuas de príncipes. As originais foram trocadas por cópias. As mesmas foram restauradas e levadas para uma luxuosa área interna para escapar da erosão. O palácio foi destruído por tropas de Luís XIV, em 1689, e por um raio em 1764. O conflito surgiu porque o monarca francês exigia direitos sucessórios para sua cunhada Liselotte.

 

Universidade de Heidelberg

A mais antiga da Alemanha. Foi fundada em 1386. Pela universidade a cidade tornou-se, mais tarde, um centro para os músicos e escritores alemães. O prédio principal foi concluído em 1728, com portões adornados e teto barroco. Ao lado, na Rua Augustinergasse, está o Histórico Cárcere dos ESTUDANTES que, de 1712 a 1914, serviu de prisão aos acadêmicos que cometiam infrações como bebedeiras e algazarras noturnas. Hoje, milhares de estudantes têm aulas em nove faculdades. Na Estação Central, é possível ver uma infinidade de bicicletas deixadas ali, todos os dias, pelos universitários.

 

Conclusão

 Abaixo do Castelo, um passeio pelas ruelas da cidade antiga oferece uma viagem no tempo. Parte da Rua Hauptstrasse- a principal- é exclusiva para pedestres, com variado comércio. Nesse local, a tradição estudantil fez um local de muitos “pubs”. Perto dali está a movimentada Praça do Mercado, onde eram decapitados bandidos e queimados hereges. Nesse centro, há uma hospedaria que faz rir ao ostentar a placa antiga que alardeia como diferencial algo básico hoje: Todos os quartos com calefação e água quente.

 

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