Peço permissão aos eleitores para sair da rotina semanal de escrever sobre florestas, erva-mate e meio ambiente. Isto porque vou escrever sobre vida, segurança no trânsito, estrada pedagiada. E porque não aguento mais ver tanto descaso.
Há aproximadamente vinte anos tenho andado pelas estradas do RS, e de dez anos para cá, percorro semanalmente a RS 135 no trecho entre Erechim e Passo Fundo. E que todos sabemos tratar-se de uma estrada asfaltada e pedagiada. Cujo valor do pedágio é de R$ 4,90. Milhares de veículos passam nesta RS diariamente.
Como estou trabalhando em Passo Fundo, vou na segunda e volto na sexta-feira. Não tem a vez que não há um acidente nesta estrada. Na maioria dos casos, são automóveis tombados, batidos, ou caminhões como carretas, bi-trens tombados nas laterais. Por vezes, acidentes fatais com vítimas, seja nos tombamentos ou nas batidas.
Trata-se de uma estrada em “permanente construção ou reforma” a uns vinte anos. De uns 5 anos para cá, estão duplicando certos trechos de aclive e declive, aproveitando os acostamentos para fazerem a terceira pista. Tem certos locais que houveram mais de três reformas na pista.
Atualmente, continuam em reforma, e construindo a terceira pista. O que se vê é que o material utilizado “asfalto” é de baixa qualidade, pois 6 meses após, já começa a deteriorar, aparecer buracos, ondulações. Teve certas reformas, que nem bem haviam concluído o trecho, e no inicio já havia buracos, panelas, ondulações. Há locais que em um ano já reformaram duas vezes, em compensação em outros, fazem mais de dois anos que não fazem nada, nem a sinalização, e está em péssimo estado de trafegabilidade. Motorista de primeira viagem ou desavisados vem numa certa velocidade no asfalto bom, e de repente entram no asfalto ruim, esburacado, e ao tentar frear, acabam tombando, capotando, ou o que vem atrás acaba batendo.
No trecho entre o trevo da Universidade Federal até a filial da Olfar, fazem mais de três meses que estão em reforma. De duas semanas para cá a empresa construtora sumiu, ficou os cones nas laterais, partes inacabadas, outras que tiraram a capa do asfalto, e sem qualquer pintura das faixas de segurança nas laterais e no meio da estrada.
De Passo Fundo a Erechim, onde o asfalto está em melhor estado, as pinturas das faixas de segurança já se apagaram. E assim, em outros locais. Imaginem num dia de chuva, com serração ou a noite, como trafegar com segurança numa estrada dessas! É um verdadeiro caos, com grande probabilidade de se acidentar. E como sempre dizem as autoridades de transito, “imprudência dos motoristas”. Será verdade¿
Na duplicação usaram o acostamento, e o asfalto vai até a beira da sarjeta. Portanto, em boa parte não tem mais acostamento. Seguidamente os caminhões de grande porte, ao trafegarem em menor velocidade nos aclives, usam esta faixa, mas como em boa parte não tem as faixas de sinalização e segurança, e mesmo que tenha, não se vê que junto a mesma está a sarjeta, e ao colocarem um rodado nesta faixa, caem na vala, e acabem tombando. Semanalmente, são diversos caminhões tombados ou capotados, e principalmente nos dias chuvosos, de serração ou pela parte da noite. É um verdadeiro caos!
Nestes vinte anos de estrada já vi de tudo, empresas que ganharam a licitação, espalhando asfalto com carrinho de mão e pá, camada impermeabilizando colocada como asfalto, uma tinta preta de dois milímetros, no trecho entre os dois trevos de Getúlio Vargas (cheguei a me deitar no asfalto e colocar uma caneta bic para ver a espessura e tirar fotos). Em todo este período, nunca vi um fiscal de obra conferindo o que estava sendo construído. Será que tem fiscal do Estado - funcionário do DAER ou EGR¿
Dizem que existe um Conselho da Rodovia composto de membros do Governo Estadual, municípios abrangidos e entidades regionais. Até não acredito que esteja em funcionamento, pois será que não veem o que está ocorrendo?
Por todos os fatos relatados e presenciados, temos uma RS Pedagiada que é um verdadeiro caos! Visivelmente se vê o desperdício do dinheiro público. Houveram muitos danos materiais, e perdas humanas por pura omissão de quem deveria zelar pela estrada, pela segurança dos motoristas, e pela vida das pessoas. Assim, ficamos “órfãos”, pois vamos recorrer a quem, se a justiça no Brasil virou uma “in-justiça”!