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Opinião

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Por Henrique Trizoto
Foto Divulgação

No último dia sete, ocorreu a Oficina “E se a História estiver ao nosso redor? Arquivos e patrimônios pelas ruas do Centro Histórico de Erechim” no encerramento da programação da X Semana Acadêmica do Curso de História da UFFS – O Papel do Historiador em Tempos de Negacionismo: História Pública e divulgação Científica, em que nos locomovemos pelo centro de Erechim, analisando seus monumentos.

Os participantes reuniram-se nas dependências do Arquivo Histórico Municipal Juarez Miguel Illa Font, depois caminharam até a Praça da Bandeira, onde foram aprofundadas informações sobre o Busto de Getúlio Vargas e sua Carta Testamento, o Pinel do Colono, o Chafariz, a Bandeira e a relação do espaço central sob a perspectiva da narrativa oficial. Na sequência, parou-se em frente ao Prédio da Comissão de Terras (Castelinho), onde fora abordado as origens do prédio, sua representatividade (usos, lembranças e silenciamentos) além do processo de restauração.

A terceira parada, ocorreu em frente ao Monumento em homenagem ao Colono de 1953, alusivo a III Festa Nacional do Trigo, apontando para as alterações do perfil produtivo da cidade. Adiante, a parada ocorreu no monumento do Vendedor de Jornais, doado por Gelsomina Carrarro em 1952 em comemoração ao aniversário de Erechim, onde fora feita uma reflexão sobre as mudanças das concepções de infância, trabalho, educação e lazer pelos quais as crianças passaram e as possibilidades pedagógicas de utilização deste monumento em sala de aula.

A penúltima parada se deu na Praça Júlio de Castilhos, onde foram retomadas as ideias de modernização do perfil urbano da cidade após os três grandes incêndios da década de 1930, principalmente voltadas a arquitetura em Art Déco e Art Noveau. Após, foram apresentadas informações sobre os monumentos contidos na Praça e em seus arredores: Monumento a Bíblia, Monumento alusivo ao centenário de Erechim, o Busto de Tiradentes e o Carro de Combate na Praça Boleslau Skorupski.

A última parada ocorreu na Praça do Imigrante, localizada após o Viaduto Rubem Berta. A escolha da Praça se dá principalmente por ela ser relativamente desconhecida por uma parcela significativa da população. Ao mesmo tempo, a partir dela podemos tecer inúmeras reflexões acerca da narrativa oficial e da perspectiva da colonização concebida como marco inicial da Colônia Erechim. Ao mesmo tempo, apontamos as possibilidades metodológicas de educação patrimonial, sob a perspectiva de que ela emancipa e possibilita desenvolver o sentimento de pertença à comunidade.

A realização de atividades com esse caráter possibilita mais do que conhecer a história de cada um dos monumentos, permite a construção de reflexões acerca da construção dos processos que acarretaram na construção das representações. Assim, fomentar a construção de novos pontos de vista sobre os fatos e monumentos, apresentando novas perspectivas capazes de construir contrapontos à narrativa oficial, trazendo à cena atores sociais notadamente silenciados pelo discurso oficial.

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