Dia 05 de outubro fez 27 anos da implantação de uma das poucas “Florestas Demonstrativas” do Brasil, localizada na Linha Servia, Município de Barão de Cotegipe-RS, ao lado do famoso “Arboreto – Museu de Árvores Vivas”. O tempo passa, o tempo voa!
A ideia deste Engenheiro Florestal surgiu pela necessidade de mostrar e demonstrar aos proprietários rurais do Alto Uruguai interessados no reflorestamento, as diferentes espécies florestais, a adaptação ao clima e solo, o crescimento em diâmetro e altura, observar os múltiplos usos da madeira, a diferença entre plantar com utilização de adubo e sem adubo, com correção do solo (calcáreo) e sem calcáreo. Além do local ser destinado a realização de “dias de floresta”, onde se ensinaria aos futuros silvicultores como implantar uma floresta de qualidade, como fazer a manutenção (roçada e limpeza), como desramar as árvores (retirar os galhos para obtenção de madeira limpa sem nós) e como desbastar (retirada das árvores inferiores, selecionando para que as melhores tivessem espaço para continuar crescendo até o corte final aos 25 anos).
Quando em 1992 a COTREL lançou seu programa de fomento florestal intitulado “Plano Cotrel de Reflorestamento” havia a necessidade de divulgar o reflorestamento com espécies arbóreas (eucaliptos, pinus, bracatinga) de valor econômico para uso energético (lenha), pois na região do Alto Uruguai havia apenas 2.000 hectares de áreas reflorestadas, que dariam para abastecer a cidade de Erechim por apenas quatro meses. E na oportunidade, a lenha utilizada nos Frigoríficos da COTREL e COTRIGO, fábricas de balas, curtumes, indústrias ervateiras, olarias e secadores de grãos, ainda era de espécies nativas ou vinha de Montenegro a uma distância de 400 quilômetros, e custava US$ 18 por metro estéreo ou ao valor da época equivalente a R$ 90,00 (dólar 5 por 1). E o IBAMA havia notificado a COTREL de que teria que implantar um programa de fomento florestal, e dentro de poucos anos cessar o uso de lenha oriunda de mata nativa.
A ideia encontrou um campo fértil na Escola de Ensino Fundamental São José da Linha Servia em Barão de Cotegipe, pois o Professor de Técnicas Agrícolas Valdecir Balestrin se interessou na implantação da Floresta Demonstrativa, já que havia dois hectares de área ociosa na Escola – as famosas Brizoletas, todas com área de quatro hectares doadas por membros das Comunidades. Levada a ideia ao Conselho Escolar, que tinha como Diretor o Professor Nelson Marmentini, restou aprovada. Mas, necessitava do aval da Comunidade, pois seus membros é que ajudariam no plantio das árvores cedidas pelo Setor Florestal da COTREL e da EMBRAPA FLORESTAS.
Assim, apresentou-se a ideia a Associação Comunitária que tinha a frente, os líderes comunitários, os saudosos agricultores, Srs. Pegoraro e Balestrin, que restou aprovada. Portanto, no dia 05 de outubro de 1995, ao som da Banda Musical de Erechim, que tinha como maestro o Sr. Elírio Toldo, foi implantada num único momento a Floresta Demonstrativa com sete blocos no tamanho de 20 x 20 metros (400 metros quadrados), com sete espécies diferentes, sendo acácia negra, acácia mangium, cinamomo gigante argentino, eucaliptos dunii, eucaliptos grandis, eucaliptos paniculata e pinus taeda. O espaçamento idealizado foi de 3 x 2 metros (6m2), tendo 67 árvores por bloco, totalizando 462 árvores em 3 mil metros quadrados de área.
Esta Floresta Demonstrativa, assim como o Arboreto viraram uma referência florestal da região do Alto Uruguai, do Estado e do Brasil. Por lá passaram centenas de agricultores, estudantes de Biologia, Engenharia Agrícola, Agronomia e Florestal, entre outros, dezenas de Universidades, Comunidades, e autoridades políticas.
Lá existe o Pinheiro Brasileiro do Bigode, que foi plantado pelo Governador Olívio Dutra, outras mudas plantadas por demais pessoas ilustres como a Coordenadora da Educação e Vereadora Carlinda Farina, Maestro Elirio Toldo, Engenheiro Florestal Jorge Silvano Silveira (todos in memorian), pesquisadores renomados da Embrapa Florestas. E principalmente, os alunos da época e seus pais, que hoje são Médicos, Advogados, Engenheiros, Agrônomos, Fisioterapeutas, Administradores, Professores, Empresários, Agricultores, entre outros profissionais.
Hoje a Escola São José não existe mais, mas por abnegação e altruísmo do Professor Valdecir Balestrin, com apoio do Colégio Agrícola Emilio Grando de Erechim e da URI Campus de Erechim a Floresta Demonstrativa mantem-se em pé.
O tempo passa, as pessoas vão, as comunidades minguam, mas ficam suas obras, seus feitos, a lembrança de momentos inesquecíveis, e a história “se alguém escrever”