Na última matéria mencionou-se que a primeira poda de colheita da erva-mate ocorre com seis anos. Entretanto, a planta estaria com sete anos e dois meses, desde a semeadura da semente, cujo somatório corresponderia a 2.190 dias. Mesmo assim, a erva-mate para o chimarrão ainda não estaria na gondola do supermercado.
Seguindo seu curso, a erva-mate cancheada vai para a moagem ou trituração, onde um determinado número de pilões vai socar a erva-mate, triturando os pedaços de folhas e ramos secos, deixando-as na forma de pó. Este processo pode ser realizado no soque de pilões ou no atritor, e leva em torno de uma hora.
A erva moída vai para depósitos ou tuias de madeira ou de metal, onde se faz o “blend” do mate. Ou seja, misturas de erva-mate de diferentes regiões, ou de sabores diferentes, daquelas cultivadas a céu aberto, sombreadas, ou vindas da floresta nativa. Cada Ervateira desenvolve seus sabores característicos e diferenciados, e/ou mescla tipos de ervas diferentes, produzindo a erva classificada como a nativa, tradicional, moída grossa, suave (com açúcar) e composta (misturada com outras ervas). Assim, segue para o empacotamento e enfardamento.
E finalmente, no depósito, cujo período é de um ou alguns dias, aguarda para ser transportada até os mercados, armazéns e supermercados.
Fazendo a contagem de meses ou dias, a erva mate leva: 1º) 14 meses ou 420 dias para se produzir uma muda; 2º) mais três anos ou 36 meses ou 1.080 dias do plantio até para chegar ao ponto a primeira poda de formação; 3º) mais um ano e meio ou 18 meses ou 547 dias para a primeira poda de produção; 4º) mais um ano e meio ou 18 meses (547 dias) para chegar a segunda poda de produção, e ainda um mês ou 30 dias para o processo industrial, comercialização e distribuição aos pontos de vendas.
Concluindo, desde a colheita da semente, produção da muda, plantio, manutenção, poda de formação, poda de colheita, industrialização, comercialização e distribuição, a erva mate leva sete anos e dois meses; ou 86 meses, ou exatos 2.624 dias para chegar a sua cuia.
Pensando pelo lado do produtor (mateicultor), trata-se de um produto baratíssimo. Hoje o preço da arroba (15 kg) de erva-mate pago pelas indústrias ervateiras está entre R$ 18,00 e R$ 20,00, equivalente a R$ 1,33 por quilo de folha verde.
Pensando pelo lado do consumidor, muitos acham caro um pacote de erva mate, que no mercado varia de R$ 12,00 a R$ 20,00 por quilo.
Mas, a conta que se deve fazer é outra. Com um quilo de erva-mate se faz em torno de 20 cuias medias. Para cada cuia, se toma em torno de dois litros de água. No total serão 40 litros de água. Um pacote da melhor erva-mate embalada a vácuo custa R$ 20,00. Portanto, cada cuia e/ou cada litro de água sorvido de um produto natural e benéfico a saúde custa R$ 0,50.
Se compararmos com um litrão de refrigerante, que custa em média R$ 7,00, o custo por litro será de R$ 3,50.
Também, se compararmos com a soja, que hoje vale R$ 170,00 saco de 50 quilos, equivalente a R$ 3,40 por quilo. E desde o plantio até a colheita, equivale a cinco meses, equivalente a 150 dias.
Esta é uma das razões do arranquio dos ervais onde se pode cultivar a terra para culturas anuais. A outra, é a falta de mão de obra para a atividade de poda dos ervais.
Todo mundo paga os R$ 7,00 por um refrigerante, e nunca reclama. Agora, um pacote de erva-mate de quilo que custa R$ 20,00, mas que se pode fazer vinte cuias de chimarrão e tomar 40 litros ao custo de R$ 0,50 por litro de uma bebida natural, nutraceutica e alimentícia, acha-se caro!
A pergunta se mantem: é caro ou barato um quilo de erva-mate para o chimarrão?