“No Rio Grande do Sul os descendentes dos colonos alemães que se radicaram há muito, são, hoje, figuras de relevo na vida social, política e econômica do Estado. São industriais e banqueiros integrados de todo na vida nacional, vivendo e sentindo como brasileiros, que o são e do mais ativo patriotismo”.
Reminiscências
Aconteceram muitas tentativas por parte da Alemanha de anexar territórios de países vizinhos. A consequência foi uma corrida pelo poder, que adquiriu força após 1900. Otto Von Bismark anunciou a criação do Império Germânico. Entretanto o novo império não abrangia todas as pessoas que falavam alemão. Aí foi incluído o estado da Alsácia-Lorena, que pertencia à França. Hoje, esse belíssimo lugar, voltou a pertencer ao seu país de origem, após a Primeira Guerra Mundial.
Strasbourg ou Estrasburgo
A Alemanha perdeu a Região da Alsácia-Lorena, que fica no nordeste da França e quase ao sul da Alemanha. Uma região das mais bonitas da Europa. Estrasburgo é a capital dessa região da Alsácia e do recém-criado departamento francês Grand Est, na fronteira com a Alemanha. A cidade é uma mistura das culturas francesa e alemã, é mais alemã. Isso em razão da história volúvel da região. As placas de rua são bilíngues. Falam francês e muito mais alemão em todos os lugares. As escolas ensinam nas duas línguas. Diversidade como a cidade de Bolzano na Itália –alemão e italiano.
Passado da Cidade
Está localizada, de modo estratégico, ao lado da margem esquerda do Rio Reno. O afluente desse rio corta a cidade. Foi povoado romano, diocese, cidade imperial independente e, desde 1681, oficialmente francesa, alemã, francesa, alemã, respectivamente. Hoje, é a atual sede do Conselho da Europa e da origem do Parlamento Europeu.
Arquitetura- Cultura
As casas de enxaimel com vigas aparentes de madeira e telhado inclinado são típicas da arquitetura do sul da Alemanha. Mas o ex-palácio do bispo e atual museu é estilo francês- Luís XV.
Neustadt, ou “cidade nova” foi desenvolvida num programa de germanização depois da derrota da França na guerra Franco-Prussiana de 1870. Quando terminada, por volta de 1910, o local efetivamente triplicou o tamanho de Estrasburgo e foi habitada por dezenas de milhares de famílias vindas de toda a Alemanha, atraídas pela promessa de moradia barata, instalações modernas e educação excelente, inclusive com uma nova universidade.
Depois da Grande Guerra
Após a derrota alemã na Primeira Guerra Mundial, a Alsácia voltou ao controle francês. Houve numerosas mudanças de nome e até 100 mil alemães étnicos foram expulsos, numa mera ponta da história cheia de tragédias da Europa no século XX. Por muito tempo a região de Neustadt, de habitantes alemães, ficou fora do mapa francês. Muitos nomes de ruas e de prédios ficaram franceses e, hoje, a região é Patrimônio Mundial da Unesco. É um dos monumentos mais completos e impressionantes da arquitetura alemã do fim do século XIX e início do século XX. Igrejas neorromânticas, prédios neoclássicos do governo, da universidade e as estruturas residenciais em “art nouveau”.
Ambos os lados, francês e alemão, negaram o legado um do outro na cidade e na região circundante. A população local sempre vítima eterna das distantes Paris e Berlim. Mas isso criou uma das cidades mais fascinantes da Europa e até uma culinária exclusiva. A história da cidade, da época romana à anexação da Alsácia pelos nazistas em 1940 e sua reintegração à França, são apresentados no museu Histórico de Estrasburgo.
Catedral Notre Dame de Estrasburgo
Uma magnífica catedral gótica situada na Place Kléber, o coração da cidade. Esta praça, plena de cafés e restaurantes, é desproporcional ao tamanho da catedral. Fica difícil recuar para acompanhar sua altura e se maravilhar com a sua única torre, que pode ser vista a quilômetros de distância. É uma estrutura de pedras castanho-avermelhadas, que começou a ser erguida no século XII. Ela é uma das maiores construções do mundo cristão numa harmoniosa estrutura gótica que se conservam da Idade Média. Foi concluída em 1439 e tornou-se o edifício mais alto de toda a cristandade, com sua torre rendilhada de 142m. Ainda hoje é a mais alta das construções medievais. Destacam-se seus belos vitrais, alguns do século XII. Na Catedral há um famoso relógio astronômico, um mecanismo enorme que além das horas mostra os dias da semana, cada um com seu deus mitológico correspondente. Marca ainda o mês, os anos, inclusive os bissextos, o tempo solar, as fases da lua e seus tempos de eclipses e os signos do zodíaco.
Todos os dias, às 12h31min, o relógio dá um espetáculo com figuras alegóricas dos 12 apóstolos na Paixão de Cristo. Ficam desfilando ao som de realejo. Multidões ficam aguardando a apresentação.
Conclusão
Depois da Catedral, o segundo ponto mais visitado da Praça é a Maison Kammerzell onde todos vão almoçar após o espetáculo do relógio. Antes é interessante, por uns trocados, ouvir a música de um realejo defronte à Catedral. Realejo, hoje é uma maravilhosa raridade! A Maison Kammerzell é uma casa, no entorno da Catedral, de madeira ricamente trabalhada que pertenceu a um comerciante do século XVI. Tem a aparência de ser para turistas, mas é muito frequentada pelos locais. É uma alta construção em estilo enxaimel- vigas de madeira. Os habitantes da cidade dizem que seu “choucroute à l’alsacienne est formidable”. O mesmo possui 10 versões. ESTRASBURGO está no coração da Europa, as cicatrizes da história sararam e a cidade se reinventou como capital da Europa unificada. Sua Catedral é um exemplo da arquitetura gótica e orgulho maior de uma cidade.