Dando continuidade ao caminho da folha de erva-mate até a cuia, e com as podas a cada 18 meses, aos seis anos se realiza a segunda poda de colheita, ainda formando a planta em forma de taça, e a produção de folha chega a cinco quilos, aos sete anos e meio são sete quilos de folhas, e aos nove anos são dez quilos de folhas. A partir desta idade, a produção se estabiliza nos dez quilos de folhas, podendo chegar aos quinze quilos de folhas, equivalente a uma arroba. Um erval em bem manejado e em bom estado de desenvolvimento, poderá atingir a produção média de 1.200 arrobas/safra/hectare, ou seja, 18 mil quilos de folhas verdes. E o auge de uma ótima produção chega a 2 mil arrobas/safra/hectare, correspondente a 30.000 quilos de folhas. Entretanto, a média da produção gaúcha está em torno de 500 arrobas/safra/hectare, equivalente a 7,5 mil quilos.
Bem, aí vem a famosa máxima de muitos produtores, “a renda da produção é muito baixa”. Realmente é muito baixa, pois a diferença é enorme em produzir 500 arrobas a cada safra ou em produzir 1.200 a 2.000 arrobas/hectare/safra. É simples de se comparar, hoje uma arroba de erva mate posta na indústria está em torno de R$ 20. Então, 500 x R$ 20, é equivalente a R$ 1.000; mas 2.000 x R$ 20, é equivalente a R$ 40 mil.
A poda de colheita consiste em cortar com serrotinho ou tesoura os galhos maiores (01 a 5 cm. de grossura), e destes se retira os ramos com folhas (cambitos). Dois trabalhadores chegam a produzir em torno de 50 arrobas por dia, equivalente a 750 quilos de folhas e ramos. Enquanto um desgalha, o outro vai quebrando os ramos e formando a “raido”, que é uma bola com folhas e ramos.
Posteriormente, os raídos são transportados e descarregados na Ervateira, chegando ao processo industrial. Quanto mais rápido chegar o raído a ervateira, mantem-se os componentes ativos da erva-mate. Se ultrapassa a 18 horas, já se inicia o processo de fermentação, e as folhas ficam escurecidas, impróprias para o chimarrão. Após, são colocados em uma esteira, que os levará ao “sapecador” para o processo de sapeco. Passam por dentro de um grande cilindro rotativo a uma temperatura de 500 ºC ou até mais, que extrai a água da folha e que está entre as células. Este processo evita que a folha escureça, permanecendo com a cor verde.
Nós, mateadores estamos acostumados a comprar a erva “pelo olho e pelo bolso”, tem que “estar verdinha e custar barato”.
Seguindo viagem, vão por outra esteira até o “secador”, para completar o processo de secagem. Na secagem passam por outro grande cilindro rotativo a uma temperatura em torno de 150 ºC, que extrai a água de dentro das células (parte), deixando as folhas e palitos já fragmentados completamente secos, em torno de 12 ºC de umidade. Todo este processo leva em torno de uma (01) hora.
Passados por estes processos temos a erva, dita “cancheada”, composta de folhas e pequenos ramos, ou seja, já seca, fragmentada em pequenas partes, e pronta para ser moída. O que se chama de erva cancheada, que pode ser armazenada por um longo período, um a dois anos, caso seja para exportação. Se for para colocação no mercado interno, quando empacotada já sai para os mercados.
Para o período da brotação da erva em setembro e outubro, é um período crítico para as indústrias, que devem ter estoque de erva cancheada para socar ou moer. Não pode passar de dois a três meses de depósito. Da mesma forma, em fevereiro e março, quando as plantas fêmeas estão com sementes.
Vale lembrar que existe a planta macho e a planta fêmea de erva-mate.
Considerando que levasse 14 meses ou 420 dias para produzir uma muda de erva-mate, e mais seis anos para uma colheita inicial de cinco quilos de folhas, equivalente a sete anos e dois meses. No somatório estamos com 2.190 dias. Mas, ainda a erva-mate não chegou a gondola do supermercado.
Enquanto sorve um bom chimarrão, vá pensando: é caro ou barato um quilo de erva-mate?