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Opinião

Os símbolos e a construção da identidade local (II)

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Henrique Trizoto
Por Henrique Trizoto
Foto Divulgação

Para prosseguir com as reflexões acerca sobre a construção da identidade local, abordaremos a descrição do Brasão do Município encontrado no Livro Cinquentenário de Erechim de 1968. Não é usual utilizarmos deste expediente, mas a reproduziremos na íntegra a seguir: 

O Escudo, chamado "Português" lembra nossa tradição lusa, a descoberta e a colonização do Brasil. É cortado, dividido ao meio por traços oblíquos verdes que significam um "campo" pequeno ou "erê-chim", o topônimo. Dois campos assentam sobre o escudo, limitados pelos traços referidos. o campo superior é de esmalte vermelho e representa o valor e o espírito decisivo dos primeiros moradores de Erechim. O campo inferior é de metal (ouro) lembra a riqueza que os pioneiros, com seu trabalho e sua tenacidade arrancaram da terra fértil de Erechim. Sobre a linha oblíqua do "campo pequeno" assentam as bases de um castelinho, vê-se logo que é uma reprodução estilizada do velho edifício da Comissão de Terras, o mais antigo prédio público da cidade e que ainda existe na Praça da Bandeira. A sua presença no escudo simboliza os inestimáveis serviços que prestaram ao nosso município os engenheiros e agrimensores do Estado que aqui vieram delimitar as terras e efetuar os traçados da cidade e das vilas circunvizinhas. As cinco linhas onduladas em azul representam o Rio Uruguai, em cujas barrancas terminaram as terras de Erechim e também do Estado. Uma enxada e um machado (em vermelho) com os cabos em cruz de Santo André, lembram os desbravadores que, com tais instrumentos derrubaram florestas e cultivaram a terra. O "monte” ou a montanha que assenta sobre a base do escudo, representa a nossa situação topográfica, terreno acidentado em plena serra. Numa faixa dobrada e dois planos, de cor vermelha, debaixo do escudo vemos em prata o nome da cidade e a legenda "Paz e Prosperidade". Encima (sic) do escudo uma coroa mural de cinco torres, em prata que representa "cidade", cabeça da comuna.

Algumas expressões saltam aos olhos, “nossa tradição lusa”; “valor e o espírito decisivo dos primeiros moradores de Erechim”; e todas as que fazem menção daqueles que trabalharam para a construção, consolidação e prosperidade da Colônia Erechim. Demonstram a construção de uma identidade baseada no culto as tradições e a um passado heroico. Este processo é fruto do período histórico em que o material foi construído.

Esse é um traço comum das cidades cuja constituição perpassa por fluxos (i)migratórios.

Os elementos que consolidam esses processos já foram debatidos em colunas anteriores, como a importância da língua, das danças, das comidas e da religiosidade para a manutenção do sentimento de pertença de determinada comunidade, tendo em vista a complexidade da mudança para outro estado / país. Estes elementos mantém a proximidade de grupos étnicos que nutrem costumes em comum, e amenizam sentimentos subjetivos como a saudade.

Ao mesmo tempo, a narrativa construída busca legitimar a ocupação da terra, e a vitória sobre um terreno e um clima hostil, que seria uma das “explicações” para o sucesso da Colônia e depois do município, que se consolidava como polo regional no período e estava em plena troca de ciclo econômico, a agricultura que era hegemônica, vai abrindo espaço para a indústria e para o comércio, e que acarreta o esvaziamento do minifúndio.

Referências

COSTA, Israel José da. Álbum oficial cinqüentenário de Erechim. Porto Alegre: Metrópole, 1968.

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