Uma operação da Delegacia Especializada de Furtos, Roubos, Entorpecentes e Capturas (Defrec) de Erechim, batizada de “Tarja Preta Dois”, realizada durante toda esta quarta-feira (27), prendeu três pessoas envolvidas na adulteração e comercialização de medicamentos irregulares na região do Alto Uruguai. Os presos são proprietários de duas distribuidoras de medicamentos que tinham suas sedes nas cidades de Erechim e Barão de Cotegipe, além de uma farmacêutica, responsável técnica por uma das empresas.
Segundo o delegado Gustavo Ceccon, os envolvidos tinham a prática criminosa há cerca de um ano. Quando o empresário, Diego Fosatti (33), preso na operação, comprou a Klima Med distribuidora de medicamentos e produtos hospitalares em Barão de Cotegipe e colocou a empresa em nome de laranjas, devido seu histórico negativo junto à receita, por ter falido diversas empresas em outros seguimentos.
Naquele tempo Diego era casado com a psicóloga e empresária, Manuela Sanoneske Haas (32), também presa, que a pouco tempo se separou e abriu em conjunto com ex-marido a empresa Eremedi, que ainda tentava abrir as portas em Erechim, mas já atuava de forma irregular. “Destacamos que as duas empresas estavam em nome da Manuela, mas na verdade quem administrava todo o patrimônio era o Diego, mas ela sabia de todo o esquema”, destacou o delegado.
Todos os envolvidos foram presos em flagrante e indiciados por tráfico de drogas e adulteração de medicamentos, mas deverão também ser enquadrados no crime de sonegação fiscal.
O esquema
Para faturar mais o então casal, que mantinha um padrão de vida luxuoso, segundo os policiais, decidiu mudar o segmento das empresas que atendiam apenas farmácias, para vender também para hospitais, isso por que segundo a polícia a margem de lucro era maior. “Mas ao invés de vender para os hospitais, eles adulteravam o medicamentos que diziam venda proibida e repassavam para as farmácias”, destaca o delegado.
Segundo Ceccon, as embalagens dos medicamentos eram adulterados de forma grotesca, utilizando adesivos nas embalagens ou até mesmo apagando os dizeres nas caixas com acetona. “Em uma das empresas encontramos um computador com uma impressora que criava um adesivo que era colocado nas caixinhas, em outro local tinha acetona que eles também utilizavam para apagar as legendas”, comenta.
Além de apagar os mesmos também cortavam parte dos blisters que vinham de caixas maiores, para esconder que o medicamento era apenas de uso hospitalar.
Conforme o delegado, o grupo utilizava para se comunicar o aplicativo do Skype, em uma das conversas flagradas pela polícia nos computadores aprendidos, Diego, destaca que não tem interesse de ouvir ou receber compradores de medicamentos de hospitais, pois o foco de venda seria as farmácias.
Confira a fala do suspeito no aplicativo:
“Quem só tá interessado em comprador de hospital que tome veneno e se exploda”
Operação
Realizada alguns anos a Operação Tarja Preta, da Polícia Civil, já havia prendido na região de Erechim, empresários de distribuidoras de medicamentos . Há três meses agentes da Defrec, reavivaram o nome para uma segunda edição, quando começaram a investigar e descobrir como cada empresa funcionava e quem eram os envolvidos responsáveis pelo esquema.
Conforme o delegado os policiais, acompanhados por agentes da Receita Estadual e Vigilância Sanitária do Estado e Município de Erechim, estiveram na sede das empresas e também em um apartamento na Rua São Paulo no centro de Erechim, local que Manuela, morava após a separação com Diego. No apartamento de luxo, foram encontrados dezenas de caixas de medicamentos estocadas.
Na empresa de Diego, em Barão de Cotegipe, o empresário foi surpreendido pelos policiais no início da manhã, ao lado de seis funcionários e a farmacêutica Danielle de Oliveira Constante Barros (37), responsável técnica dos medicamentos, que também foi presa. Em depoimento Danielle, negou saber sobre o esquema praticado por seu chefe na companhia da ex - esposa.
“Encontramos lá uma enorme carga de medicamentos, muitos tarja preta, outros vendidos apenas com receita. Sabemos que estes não estavam nos estoques das empresas pelo sistema deles, portando eram vendidos de forma ilegal, sem receita qualquer, o que formava toda uma cadeia clandestina e perigosa, que envolvia venda de muitos medicamentos, até mesmo de uso estritamente controlado”, comentou.
Para levar a carga apreendida de Barão de Cotegipe para delegacia em Erechim, os polícias precisaram de um caminhão, além das viaturas.
Faturamento
Segundo o delegado o faturamento de forma ilegal do grupo, será contabilizado pelos técnicos da receita nos próximos dias, assim como toda a carga apreendida de medicamentos, que ocuparam toda uma sala na delegacia. “ Estes medicamentos devem passar por uma perícia e depois serão remetidos para Justiça, que deve encaminhar o futuro deles”, comentou.
Ceccon destaca que o grupo utilizava a cidade de Barão de Cotegipe, principalmente para despistar o esquema, já que o município se tornou um grande centro de empresas de medicamentos do país nos últimos anos. " Com certeza eles acreditavam que iriam passar despercebidos no meio das outras", finalizou.

Prisão
Todos os envolvidos após prestarem depoimento, foram encaminhados para o Presídio Estadual de Erechim, os advogados de defesa dos presos, não foram encontrados por esta reportagem para se pronunciar, até esta postagem.
As fotos ao lado são da farmacêutica Danielle de Oliveira Constante Barros (37) da empresária Manuela Sanoneske Haas (32) e do empresário Diego Fosatti (33). Todos foram presos na operação.