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Cultura

Amor pela escrita: mulheres que transformam ideias em literatura

Taciana Câmara da Trindade (45) e Priscila Czysz (27) encontraram na escrita uma forma de acolher as pessoas e compartilhar a simplicidade da vida

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Taciana Câmara da Trindade e Priscila Demoliner Czysz
Por Taiane do Carmo
Foto Nathan Breitenbach/Arquivo pessoal

Quem nunca leu um texto e se emocionou? Das ideias ali apresentadas, sobre a forma como foi escrito, o conjunto das palavras utilizadas que deram sentido e vida a uma narrativa, seja ela mais poética ou informativa, há diferentes formatos. As palavras, quando combinadas de forma inteligente e adjetivos corretos, podem despertar o imaginário de qualquer pessoa que esteja disposta a se entregar no mundo da literatura e se deixar levar pela união dos signos e mensagem compartilhada.

Há pessoas que, além de escrever, usam essa ‘sensibilidade’, conhecimento e criatividade nos textos, para acolher os leitores e trazer reflexões à sociedade, sobre pontos essenciais na ‘caminhada da vida’.

Histórias que se cruzam

Taciana Câmara da Trindade de 45 anos de idade, natural de Erval Seco (RS), região Noroeste, que mora em Erechim, é uma destas escritoras. Ela transformou suas ideias e sentimentos em uma forma de compartilhar as simplicidades da vida.

Ainda no tempo da escola, fazia recordações nos cadernos e gostava de registrar dedicatórias para pessoas queridas. Ela conta, que era uma forma de expressar suas lembranças, momentos difíceis e também as alegrias. “Quando meu filho nasceu, fiz uma carta de amor para ele no Dia das Mães, escrevia poemas em homenagem a data na empresa onde trabalhava. Foi assim, com o incentivo das pessoas, que comecei a tornar público minhas escritas, entretanto, tinha várias que acabaram se perdendo”.

Compartilhar a vida 

A egressa do curso de Pedagogia da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS- Campus Erechim), escreve um pouco de tudo: poemas, crônicas, reflexões, prosas, entre outros. “Gosto de textos, que façam as pessoas buscarem lembranças e que as toque de alguma forma”.

Taciana escreve há muito tempo, mas foi no período da faculdade que começou a publicar seus textos e criou o blog “Cúmplices”, com página no Facebook. “Surgiu graças ao incentivo de pessoas especiais. Com o conteúdo do blog, pretendo passar a importância de olhar com empatia as dores do outro ou as nossas. Que de alguma forma emocione, e nessa vida corrida, lembrar que partilhamos dos mesmos problemas”, destaca.

O valor da escrita

Para ela, o sentimento de escrever é de alívio e satisfação, além de ser uma forma de comunicar ao mundo o que está do “lado de dentro”. “Quando valorizamos os escritores, atingimos todas as áreas da sociedade. Costumamos valorizar os grandes, os famosos, mas os pequenos escritores, como essa iniciativa do jornal, é uma forma. Sou um ‘grãozinho de areia’, mas um texto, uma palavra que toque alguém que venha ler, já me dou por realizada”, diz.

Amor desde criança

Priscila Demoliner Czysz, de 27 anos de idade, tem o amor pela escrita e leitura desde criança. Ela conta que na escola suas matérias preferidas eram português e literatura. Com o apoio dos professores, que sempre a incentivaram a melhorar, prosseguiu escrevendo e hoje possui canais de literatura que atraem cada vez mais leitores às suas reflexões, além de um livro que está em produção.

Logo que começou a escrever, colocava as ideias em um papel e guardava, para no futuro poder usá-las. “Logo que aprendi a juntar as letras, palavras e a entender o significado delas, criava histórias baseadas nos desenhos, novelas e filmes que assistia na época. Eu pensava assim - ‘essa história poderia ter sido escrita dessa forma, envolvendo outros personagens, mudando um pouco os acontecimentos’ e então escrevia”. 

Canais de conteúdo

A ideia de divulgar seus conteúdos na internet surgiu quando estava no último ano do ensino médio, em 2011, ao descobrir o site “Recanto das Letras”. “Comecei a postar meus escritos lá e divulguei para alguns amigos, mas as pessoas que liam e comentavam eram de diferentes lugares do país. Anos depois, criei o Blog ‘Mundo Visionário’, que também atraiu e ainda chama atenção de muitos leitores”. 

Atualmente, Priscila escreve artigos e crônicas, mas, quando participa de coletâneas junto a Academia Virtual de Escritores Brasileiros (AVEB), se desafia escrevendo contos e poemas. Ela afirma que sua maior inspiração vem de Deus. “Peço a ele uma luz, um carinho, uma palavra de conforto. E é nesses momentos que surgem as ideias para escrever. Carrego sempre comigo uma caneta e um bloquinho de anotações. Quando coloco no papel, nem que sejam poucas palavras, a sensação que tenho é de que meu coração se acalma e tudo parece melhorar”. 

Livro

O livro que está escrevendo se chama “As Chamas que Curam”, com ele a escritora pretende ajudar as pessoas a lidar com os problemas, mostrando que é possível ressignificar acontecimentos e praticar a resiliência. “Sempre penso em como leitor irá se sentir. Ler me faz sair da zona de conforto, conhecer lugares, aprender culturas. Amplio meu vocabulário e melhoro minha maneira de se expressar”.

Histórias para contar

Priscila afirma que ao escrever sente paz e consegue lidar melhor com os problemas do dia a dia. Ela frisa que o Brasil está repleto de bons escritores com muitas histórias para contar, mas precisam de oportunidades para divulgar suas obras. “A literatura abre as portas da imaginação. Melhora a nossa percepção de mundo. Nos faz aprender, evoluir e acreditar em dias melhores. Ao priorizar um novo autor, um escritor local, estamos estendendo a mão para a literatura brasileira e, consequentemente, a cultura nacional é fortalecida”, finaliza.

 

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