Terminei na semana passada a leitura desse livro, que me foi recomendada por um amigo muito especial. Um amigo não, um casal de amigos, homens, mas sobre isso eu conto outro dia. Mas antes de você partir, porque eu falei em homossexualismo, recomendo que você leia, para não terminar sua vida como a dos personagens – verdadeiros, arrolados nesse maravilhoso livro de histórias reais. Por ser extenso e tão especial, tive de dividir minha coluna em duas. Uma, que você vai ler hoje e a outra, amanhã.
Cuidados paliativos
A obra, da autora australiana Bronnie Ware, traça uma mistura interessante entre sua vida pessoal e profissional, contando histórias de seu trabalho como cuidadora de doentes terminais, os chamados cuidados paliativos. Aliás, me interessei muito sobre esse tema depois que li o livro da brasileira Ana Claudia Quintana Arantes intitulado A morte é um dia que vale a pena viver. Conheci este livro através de minha amiga Carina. Mais que recomendo, o livro e amizade da Carina.
Depois que li esse livro escrito por essa médica brasileira, passei a viver de forma totalmente diferente. Aprendi que é possível morrer todos os dias, aos poucos, de forma que quando chegar a hora derradeira, a chance de sofrer se torna bem remota. Não é incrível? Por isso o tema “morte” tem sido um de meus preferidos, justamente porque a morte não existe, quando você acredita em corpo, mente e espírito. O término do corpo não leva consigo a mente e o espírito. Mas isso eu também falo outro dia.
Tua alma não te abandona
Voltando ao livro. Há várias frases impactantes, relatadas pelos pacientes, mas uma delas mereceu ainda mais minha atenção. Disse uma paciente: “eu desejaria ter tido a coragem de viver uma verdadeira vida para mim, não a vida que os outros esperavam de mim”. Essa frase, entre tantos relatos, nos mostra que para sermos verdadeiros é preciso ter coragem. Quando descobrimos que temos uma alma e que ela pode nos representar melhor do que o nosso ego, acabamos sendo analisados, julgados e, muitas vezes excluídos pelos outros, mas não deixamos de ser verdadeiros. O ego pode nos abandonar, mas a alma jamais.
Tenha coragem e se expresse
Em outra experiência, uma paciente conta que é necessário ter firmeza para promover grandes mudanças. “Quanto mais tempo você ficar no ambiente errado e permanecer sendo seu produto, por mais tempo você negará a você mesmo a oportunidade de conhecer a verdadeira felicidade e satisfação”. E os relatos, ainda que isolados, parecem conversar entre si. Noutra passagem, um paciente conta que “suas melhorias começam quando você pratica pequenos atos de coragem ao se expressar”. Com isso, você fica mais à vontade para se abrir e até começa a gostar de compartilhar essa franqueza. Aliás, você nunca será capaz de controlar as reações dos outros, muito embora as pessoas possam reagir quando você muda seu jeito de ser ao falar honestamente. Ao final, isso eleva a amizade a um nível inteiramente novo e mais sadio. Ou acontece isso ou a amizade doentia é completamente afastada de sua vida. Nos dois casos você ganha. Palavra dos pacientes.
O efeito solidão
Antes de terminar esse primeiro capítulo, relembro como a obra aborda o tema da solidão e como esse sentimento, ao deixar um vazio em seu coração, pode lhe matar fisicamente. A dor é insuportável e, quanto mais ela dura, mais o desespero aumenta, lembrando a magnífica obra de Viktor Frankl (Em busca de sentido). Para os doentes terminais, a solidão é uma falta de pessoas. É uma falta de compreensão e aceitação. Milhares de pessoas experimentam a solidão em aposentos lotados de gente e ficar nesses lugares exacerba e realça a solidão que há em nós. Não importa quantas pessoas tem ao seu redor. Se não houver alguém por perto que o entenda, ou aceite como você é, a solidão pode muito prontamente apresentar sua presença desesperadora. É muito diferente de estar sozinho.
A segunda parte
E amanhã, no próximo “capítulo”, além de outras interessantes e magníficas experiências da vida dessas pessoas que visualizam a morte chegar, vou descrever os cinco maiores lamentos dos doentes terminais. Antes de partir. Esse é o nome do livro. Aguente firme e até amanhã!