É preciso parar de boicotar o município com ideias e ações, enfim, nós, no fim de contas. Sempre que se lança um projeto para a comunidade se entra num círculo vicioso de contraposição de ideias e reflexões, infindáveis. Sempre haverá argumentos, se assim se definir, a ser interpostos para frear uma obra, reforma, projeto sugerido, afetando diretamente o desenvolvimento humano, social, econômico e cultural. É preciso equilíbrio nas avaliações e principalmente mudar a cultura estabelecida.
A questão é perceber se a crítica, simplesmente, não é exagerada, desmedida, uma mania, fruto de certa “lavagem cerebral”, repetida como um disco de vinil furado, que não sai do lugar e fica sempre no mesmo ponto. Um hábito cultural que, automaticamente, ao menor sinal de mudança na realidade, por projeto no horizonte, soam os sinos contrários, sempre buscando argumentos “técnicos” para impedir a realização seja lá do que for.
Em Erechim, há vários exemplos, cito um, que traria muitos benefícios à comunidade e caberia perfeitamente na estrutura viária do município, a implantação de ciclovia/ciclofaixa, que já tem dois projetos prontos, um da URI- Erechim e outro da UFFS-Erechim, mas não sai do papel. Sempre há um argumento contrário impedindo a sua realização, e aí, nada se efetiva. Entre eles, a urgência das áreas prioritárias.
O ponto central é que não precisa deixar de atuar nas áreas prioritárias, mas também, junto com elas, propor e executar melhorias em outros segmentos não menos importantes. Porque senão o argumento prioritário estanca qualquer possibilidade de avanço, justamente, ações que também irão refletir nas áreas mais prioritárias como saúde, educação, segurança.
E entre as obras que não saem do papel dá para citar o museu municipal, centro administrativo, e agora, mais recentemente, a finalização do projeto do Parque Longines Malinowski e o seu mirante, que já estava previsto na concepção inicial. E dá pra acrescentar outras, como um túnel com o bairro Progresso, via rua Mario Corradi, já que as paralelas não passam por ali. Aliás, tuneis em todas as ligações de bairros que precisam cruzar a BR 153 (alguém já propôs isso, eu acho). Ou um viaduto onde hoje tem uma passarela, no fim da avenida Sete de Setembro, próximo à Sociedade Beneficente Jacinto Godoi.
Ligações possíveis
Outro exemplo, são as ligações da rua João Zanella e Gladstone Osório Mársico com a Heraclides Franco para desafogar o trânsito da URI, no fim da avenida Sete, já que os carros precisam retornar para a avenida para voltar para o centro da cidade, o que gera engarrafamento diário, dia e noite. Essas duas ligações resolveriam esse problema, abrindo dois canais de escoamento (para o lado direito da avenida), que hoje não existem, e podem ser feitos, pois ali não há casas, mas precisam ser percebidos como necessários. Assim como, também fazer a ligação da rua Carlos Miorando Filho com a Heraclides Franco.
VLT, aeroporto, Skyglass e lago artificial
Transformar a ferrovia abandonada, inclusive a estação, que está ruindo, num transporte coletivo, no modal veículo leve sobre trilhos (VLT), interligando muitos bairros com o centro da cidade, junto com área de caminhadas e ciclovias. Seria simplesmente fantástico. Fazer o Skyglass no Vale do Dourado, no local, museu, cafeterias, restaurantes. Sem esquecer, é claro, de um outro parque com grande lago artificial e ampliar o aeroporto.
Assim, se fosse implantar qualquer projeto, como a ciclovia, obviamente, teriam alterações a serem feitas no trânsito, e que também são legítimas, tanto quanto as intervenções para deixar o tráfego mais fluido ou seguro. Isso é normal, as cidades não nascem prontas, mas se transformam conforme crescem.
Obviamente que não se está defendendo ações que contribuam com a destruição de seja lá o que for, natureza, patrimônio público, mas sim, projetos que tragam mais praticidade à rotina diária, conforto, e qualidade de vida às pessoas. Só isso. Sem esquecer e relegar as áreas prioritárias. Mas para que se efetivem é preciso que ocorram alterações no espaço público, e na cultura vigente da sociedade, já que o município é uma composição “viva” e dinâmica, que está permanentemente em transformação. Além disso, exige uma mudança na percepção cultural, como sociedade.
Detalhe, todos esses projetos, necessariamente, deveriam ser executados com empresas, prestadores de serviços locais, regionais, para estimular o desenvolvimento humano, industrial, comercial, científico e econômico. Em suma, tornar o município um grande canteiro de obras para fazer a cidade e a vida melhor. Transformar a existência numa experiência prazerosa. Isso atrai pessoas e investimentos. Mas da onde viria o dinheiro para tudo isso? Esse é um projeto de sociedade. Quem dá o pontapé inicial? Pode ser o Poder Público, mas só vai se sustentar se a sociedade participar. Ah, quase me esqueci, isso não é pra nós.