Um dos casos que mais chocou a comunidade de Erechim, em 2001, foi julgado nesta sexta-feira (24), pelo Tribunal do Júri da Comarca de Erechim. Após 16 anos da morte do empresário Aldo Ângelo Momoli, os principais suspeitos de cometerem o crime sentaram no banco dos réus para se defender, diante de um júri popular formado por três homens e quatro mulheres. Alda Maria Gomes Momoli, ex - esposa da vítima e Josemir Antônio Elsner, namorado de Alda na época em que o crime ocorreu, são acusados pelo Ministério Público de homicídio qualificado por planejar e executar o crime, além de ocultação de cadáver do corpo, que foi encontrado dias após o desaparecimento do empresário, as margens na BR 153, no município de Severiano de Almeida. O homícidio teria sido motivado por desavenças entre Alda e vítima seu então ex- marido Aldo, após a separação, por não concordar com a partilha de bens feita no divórsio. Segundo acusação a ré teria combinado com o então namorado de colocar de dopar a vítima e que após ficar sonolenta seria carregada por Josemir até um local ermo, sendo assassinado com um tiro na cabeça.
O júri que teve seu ínicio por volta das 9h20 da manhã, começou com cerca de quatro horas de depoimentos. A defesa de Alda feita pelo advogado Jorge Lisboa Goelzer, solicitou o depoimento de três novas testemunhas no processo, duas vizinhas e um filho da ré da vítima, antes dos depoimentos dos réus.
As testemunhas
A primeira testemunha vizinha de porta de Alda por dez anos destacou em seu depoimento que a ré era uma pessoa boa e que não poderia ter planejado o crime. Ela comentou que para chegar até a garagem era necessário passar pelo lado de fora do prédio. Com esta informação a defesa procurou desqualificar acusação do Ministério Público que os acusados teriam carregado a vítima até o carro, já adormecido por medicamentos.
A segunda testemunha confirmou que viu na noite em que o crime teria sido executado a vítima saindo da casa de Alda por vontade própria por volta das 22h, diferentemente das informações apuradas pela polícia no inquérito apresentado, confirmando a tese que o casal de suspeitos não teria dotado e carregado à vítima.
A terceira testemunha um filho da ré e da vítima, muito emocionado destacou que tem certeza que o crime não foi planejado e executado por sua mãe. Durante o depoimento, ele afirmou que pode garantir que acusação esta errada, baseado no convívio que teve com ré e conversas após o crime. O rapaz que emocionou familiares que acompanham o júri, além de alguns jurados, disse que com a morte de seu pai, teve apenas prejuízos e que a família não teve nem um lucro financeiro.
Os réus
Alda atualmente com 65 anos, chegou no inicio da manhã acompanhada de familiares e advogados ao fórum, foi a primeira entre os réus a prestar depoimento. Na sequência foi a vez de Josemir, que atualmente mora em Santa Catarina, local que trabalha como pedreiro e que chegou no mesmo horário sozinho a audiência.
Em seu depoimento Alda negou a prática do crime, disse estar sendo acusada injustamente e assim como o filho que prestou depoimento anteriormente, comentou que o ex-marido tinha problema com alcoolismo e que andava com pessoas perigosas em bares o que pode ter levado a sua morte. Referente à data do crime a ré confirmou que a vítima esteve em sua casa e que se alimentou, diferente da afirmação que fez na audiência de pronúncia em 2009, mas também destacou que Aldo, fazia isso normamente em qualquer horário do dia.
Referente às 23 ligações feitas para o mesmo número, sendo feitas 13 por ela e recebido outras dez na noite do crime, Alda disse não conhecer o números ligado e afirmou não lembrar o fato. "Acredito que pode ter sido um filho meu, tenho problemas de audição, às vezes é preciso repetir a ligação", afirmou. Ela confirmou ter tido um breve caso amoroso com Josemir, e que disse não acreditar que o réu possa ter assassinado seu ex-marido.
Em seu depoimento Josemir também negou ter o crime, informou que o caso entre os dois já tinha acabado na época do crime. Diferentemente do que disse em outros depoimentos que aparecem no processo, Josemir, informou que nunca foi ameaçado pela vítima de morte e que o conheceu de passagem durante uma carona. Sobre ameaças de extorsão de Alda para contar a verdade o réu também negou a informação.
Acusação
Segundo promotor de Justiça Gustavo Burgos de Oliveira,responsável pela acusação no processo, que a cinco anos atua como promotor, disse que esta acostumado com audiências longas como a do Caso Momoli, para ele o diferencial do processo, que pode determinar a culpa ou inocência dos réus pelo júri são os detalhes do fato. "Ninguém viu o crime, portando neste caso o júri vai pela sua convicção e entendimento. Neste caso, como não existiu uma testemunha ocular, exige uma força maior do Ministério Público, que trabalha com provas indiretas que levam a conclusão do crime", explica.
Defesa
O advogado defesa, de Alda, Jorge Lisboa Goelzer, destacou a importância dos depoimentos feitos na parte da manhã e inicio da tarde do processo. “Eles foram muito válidos, acredito que os réus serão inocentados, pois acusação não tem provas materiais que eles praticaram o crime", resaltou o advogado.
A defensora pública e advogada Marcélia Cominetti Favarin, que faz a defesa de Josemir, lembrou que o réu esta sendo acusado injustamente, por uma suposição feita na parte do inquérito. “Ele esta sendo acusado primeiro, por que alguém ouviu uma conversa, segundo que os tal de Iogurte, que falam no processo que estava com ele e que foram encontrados ao lado do corpo não tem relação nenhuma e não passaram de uma mentira, de quem prestou o depoimento, buscando algum beneficio, portando esta acusação feita a ele é injusta", comentou a defensora.
Audiência
Acessória do Juiz Marcos Luiz Agostini, que presidi a sessão, informou que previsão é que a sentença seja lida até 0h deste sábado (25).
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