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Opinião

Fechando portas

A ferramenta, que poderia colaborar com o bem-estar das pessoas, está se tornando ambiente propício para gestar todo tipo de absurdidades contrárias à vida

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A tecnologia está fechando portas e não abrindo
Por Ígor Dalla Rosa Müller
Foto Divulgação

Os smartphones tomaram conta da vida das pessoas, num estalar de dedos, alguns poucos anos atrás. É raro ver alguém que não tenha um aparelho nas mãos conectado nas redes sociais, vivendo o “mundo virtual”, que invadiu os lares e os relacionamentos pessoais. Não sou contra tecnologia, aliás, ela nos ajuda muito, mas como ferramenta à serviço da vida, e não o contrário, a vida subjugada, aprisionada pela tecnologia.      

O Facebook tem milhões, bilhões de usuários ativos, o Twitter outros milhões, Instagram tem milhões ou bilhão de usuários, entre outros tantos sites e veículos digitais para crianças, mães, pais, enfim, compartilhando fotos, vídeos, vivendo a vida virtual. E não tem problema nenhum, cada um tem o direito de escolher o que quer fazer da sua vida.

As redes sociais quebraram uma certa hegemonia da informação e leitura “oficial” da realidade abrindo espaço para o contraponto rápido de alguém olhando para o mundo exterior, filmando, escrevendo ou fazendo uma fotografia e colocando nas redes sociais. De certa forma, proporcionou a retirada do anonimato de milhões de percepções e vidas, que foram colocadas também em relação.

Por outro lado, o problema é que, da mesma forma que criou vários aspectos positivos, gerou também muitos outros negativos, e aqui cito um: se tornou terreno fértil para a desinformação, a distorção da realidade. E os efeitos disso são os piores possíveis, como interpor ainda mais dificuldades para compreender a própria realidade, antes anônima. A ferramenta, que poderia colaborar com o bem-estar das pessoas, está se tornando ambiente propício para gestar todo tipo de absurdidades contrárias à vida. A tecnologia está fechando portas e não abrindo.

Máquina de moer gente   

Antes de qualquer coisa eu pergunto ao leitor: ter empréstimos em bancos é ou não preocupante ou qualquer dívida que consuma parte do rendimento mensal da família? É ou não é? Acho que a reposta seria unânime: é um problema enorme! A questão é por que esta mesma lógica não serve quando o assunto é a dívida do Estado do Rio Grande do Sul ou da União?

Quando se tem a renda consumida por empréstimos, com juros elevados, se perde o poder aquisitivo nas famílias e no caso do Estado a capacidade de investimentos em áreas essenciais como infraestrutura, saúde e educação. E a região da Amau e Amunor, norte e nordeste do Estado, sabe muito bem disso, porque há anos não recebe recursos para fazer grandes obras ficando às moscas, completamente abandonada.

A dívida pública estadual e federal impede todo e qualquer projeto de desenvolvimento econômico, social, industrial e cultural. Além do mais, o dinheiro nunca chega aqui, basta lembrar que existem 10 municípios da região Alto Uruguai sem acesso asfáltico. A estrutura da dívida pública é uma “máquina de moer vidas”, garantida por lei, impagável, e que custa o sacrifício de toda a população.

A ideia central da dívida pública dos estados foi manter eles em permanente estado de insolvência, conforme avaliação do auditor fiscal aposentado, João Pedro Casarotto, membro da Federação Brasileira de Associações de Fiscais de Tributos Estaduais (Febrafit). E, mais, não importa o quanto se pague, e o sacrifício que a população faça, do jeito que está, no modelo como foi feito, a dívida nunca vai ser paga e cada vez vai ficar maior.

Nenhum governo enfrenta este problema, que é ignorado, como se nada fosse, e que acaba com os orçamentos de estados e da união, numa espiral raivosa e sem fim, que cresce a cada dia. É, simplesmente, impressionante a capacidade que a sociedade brasileira tem de se boicotar e se prejudicar sob o pretexto de desenvolvimento.

Covid-19  

Não há mais o que fazer, literalmente, a não ser se cuidar. Não adianta apontar o dedo e querer achar culpados, porque o caos já está se instalando.      

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