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Opinião

Voraz pra cobrar, sonolento pra fazer

É uma miscelânea de situações que só parecem piorar, ao longo do tempo, e nunca o Estado está pronto para resolver as questões da comunidade, mas sobram recursos para gerar dívida pública, sem nenhuma resistência, pacatamente, sem questionar. É simplesmente uma loucura o que se vê aí pra fora. E, é isso aí.

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Estado voraz para cobrar e sonolento para fazer
Por Ígor Dalla Rosa Müller
Foto Divulgação

Seria tão mais fácil se, simplesmente, as coisas acontecessem. Deveria ser assim, mas não é. Depois de se constatar a demanda pública, se aciona a estrutura responsável – Estado - por resolver essa necessidade, procuram-se os meios de fazê-lo e aí se soluciona ela. Indo em seguida para a próxima tarefa. Será que isso algum dia vai ser assim.  

E assim deveria ser com a vacina, relacionada à saúde pública, que envolve o convívio social, em grupo, tem necessidade, compra, depois de ser fabricada, e aplica em quem tem que aplicar. Se for para todos, então, é para todos. Tem demanda de estrada, ponte, como a da ERS 211 entre Campinas do Sul e Ronda Alta, acessos asfálticos, vai lá reúne as pessoas, faz a papelada, os projetos e põe em prática.

Nada, absolutamente, nada, sequer uma vírgula, quando o assunto são as demandas da sociedade brasileira, como um todo, e a região Alto Uruguai não é diferente, que ocorram de maneira simplificada, prática, com alguma celeridade, agilidade. Qualquer que seja a necessidade da comunidade e que ela possa dizer o seguinte: vamos achar os meios para resolver e lá vai ser resolvido. Não existe isso, principalmente, quando o município reivindica para o Estado ou a União, aí é o caos, a Transbrasiliana que o diga, há mais de 40 anos aguardando o asfalto.   

Não existe um exemplo sequer, e se existir eu gostaria que me informassem, ao longo dos anos. Desde que me conheço por gente não ouvi falar em nada que tenha sido resolvido com certa rapidez e normalidade, tudo aqui na região está na escala de 10, 20, 30, 40 anos para se chegar a uma solução. Não é culpa dos prefeitos, é só cair no colo do Estado ou em Brasília, que a necessidade deixa de existir, pelo menos nestes lugares.    

E isso é um problema porque existe uma estrutura que capta recursos - e é paga - das pessoas, da sociedade para ser utilizados em serviços, obras, projetos, em benefício da comunidade. Valores que o cidadão gerou depois de passar dia após dia trabalhando, diferente do Estado que se vale desse bem, passivamente, sem fazer esforço algum.  

Então, nada é simples e ágil quando se fala em necessidades coletivas, que envolvam a sociedade, mesmo com toda a estrutura estatal que recebe bem para resolver essas questões, e que cada dia fica mais distante de atender e executar a sua finalidade, fugindo da sua responsabilidade, e o pior, usando a força da lei e do Estado para isso, para literalmente, sacanear quem lhe paga e lhe dá vida: a sociedade.

Da maneira que está não pode continuar. Há urgência na transformação deste Estado usurpador e passivo, mas completamente voraz para cobrar e sonolento para fazer. E o pior, que ano após ano repete a sua ladainha de que falta recursos, que continuam sendo dragados com todos os canos abertos por meio dos impostos.

E isso ocorre há vários anos e as coisas simplesmente não acontecem. Isso quando não se interpõe, no meio do caminho, questões político-ideológicas sem nenhum sentido, que embaralham a cabeça das pessoas, deixando-as perdidas, ao ponto de negar aquilo que seria o melhor para elas mesmas.  

É uma miscelânea de situações que só parecem piorar, ao longo do tempo, e nunca o Estado está pronto para resolver as questões da comunidade, mas sobram recursos para gerar dívida pública, sem nenhuma resistência, pacatamente, sem questionar. É simplesmente uma loucura o que se vê aí pra fora. E, é isso aí.  

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