A pandemia da covid-19 atingiu de maneira distinta cada setor produtivo da economia brasileira. E, no Alto Uruguai não foi diferente. Entre alguns dos efeitos mais prejudiciais está o desabastecimento de matéria-prima e o desemprego da população. Em meio a tudo isso, qual a situação da indústria da construção civil e do mobiliário? Segmentos que movimentam a cadeia produtiva e geram muitos empregos?
Sinduscon
Segundo o empresário, Cesar Augusto Carllotto, presidente do Sindicato da Indústria da Construção e do Mobiliário de Erechim (Sinduscon Erechim), e trabalha na Carllotto Empreendimentos Imobiliários Ltda., a construção civil, historicamente, é um dos pilares e motor da retomada do crescimento em qualquer economia. “E na nossa região não vai ser diferente. A indústria da construção civil e do mobiliário é muito forte e vai fazer com que tenha muitas oportunidades”, diz.
Ele ressalta que um bom resultado nos outros setores também vai alavancar investimentos na construção e, com isso, a abertura de novos postos de trabalho, fazendo com que a economia gire.
O presidente do Sinduscon Erechim, explica que a construção civil tem um fator muito importante, que é dar uma resposta muito rápida ao investimento do dinheiro. “A partir do momento que o projeto já está entrando em execução, ele começa a movimentar a economia. E, a cadeia econômica que se movimenta através da construção civil é enorme, funciona desde o bar no bairro até os importadores. Essa cadeia de serviços e produtos é muito grande, envolve muita gente”, afirma.
Carlotto acredita que o ano de 2021 irá consolidar as expectativas de 2020, que em função da pandemia foram suspensas. “Agora vamos ter um start. Acreditamos que a partir do momento que tiver a vacina haverá retomada do crescimento da nossa economia, tanto regional quanto estadual”, afirma.
Mobiliário
Segundo o empresário, Sivonei Talasca (Tato), que tem uma indústria familiar de moveis no município de Quatro Irmãos, e trabalha há 20 anos neste segmento, o setor mobiliário foi bom por um lado, porque, mesmo com a pandemia, teve uma boa demanda de serviços.
Por outro lado, explica Tato, o que prejudicou foi a falta de matéria-prima para produzir os moveis, a dificuldade de conseguir chapas de MDF, perfis, entre outros itens. Além da escassez de material, outro problema vivido pelo setor foi o aumento significativo dos insumos.
Ele explica que determinados tipos de MDF, por exemplo, muito utilizado na fabricação dos moveis, chegaram a aumentar até 20% o valor, em média, neste ano de pandemia, e em alguns casos até mais. Na avaliação de Tato, a falta de material deve continuar em 2021, até o primeiro semestre, e depois a tendência é melhorar o quadro geral se efetivamente regularizar o fornecimento.
Incorporação imobiliária
De acordo com o empresário, Carlos Eduardo De Marco, que é secretário do Sinduscon Erechim e trabalha na De Marco Incorporações Imobiliárias, e atua no mercado há 12 anos com grandes obras, o ano de 2019 não foi satisfatório para a construção civil. “Pra quem trabalha com financiamento habitacional, o ano de 2019 não foi muito legal”, disse.
De Marco explica que, no início deste ano, com a redução dos juros dos financiamentos habitacionais, que ficaram muito atrativos para o cliente adquirir o seu imóvel, o setor estava preparado para decolar. Mas aí chegou a pandemia, que trouxe muitas preocupações de como seriam as vendas e a procura por parte dos clientes. No entanto, o que se viu foi uma grande procura por imóveis, em plena pandemia. “O setor cresceu muito”, diz.
Ele explica que houve uma mudança na expectativa de consumo, influenciada pelos juros baixos e o fato da compra de imóveis ser mais atrativa do que a poupança e outros tipos de investimentos. “Principalmente, imóveis na planta, que em dois ou três anos se tem uma valorização certa”, afirma.
Construção civil
Segundo De Marco, a construção civil é um dos setores que mais faz a economia girar, porque gera empregos para as pessoas que tem menos estudo, mas também com elevada qualificação profissional. Além disso, é uma cadeia que movimenta muitos insumos com alto valor agregado, como cimento, ferro, esquadrias de alumínio, cerâmica, laminados, que empregam muitos trabalhadores para sua fabricação.
No entanto, um dos desafios do setor, na pandemia, é a dificuldade em adquirir materiais no mercado, como por exemplo a falta aço para vender, que se tem precisa ser pago à vista, o que antes da pandemia podia ser parcelado. “O concreto tem que ser agendado com muita antecedência para conseguir receber, porque está vindo em conta-gotas”, disse.
Conforme De Marco, o panorama geral do setor é que mesmo sendo impulsionado por investimentos, com juros baixos e as pessoas querendo comprar imóveis para investir se está tendo dificuldade para construir por falta de materiais, já que tem disponível mão de obra.