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Duas décadas de pesquisa originam livro sobre qualidade das águas

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Por Izabel Seehaber
Foto Divulgação

Na noite de ontem (17) foi realizado um workshop para marcar o lançamento do livro ‘Ecologia de Riachos no Alto Uruguai Gaúcho’. A obra é apresentada nesse período, não por acaso, mas no ano em que se comemoram duas décadas de pesquisas sobre os recursos hídricos na região.

A organização é dos professores do curso de Ciências Biológicas e do Programa de Pós-Graduação em Ecologia da URI – campus de Erechim, Luiz Ubiratan Hepp e Rozane Maria Restello.

Sobre o Workshop

Durante o workshop, a convidada especial foi a professora Joseliane Molozzi, da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), graduada em Ciências Biológicas pela URI. A palestra reforçou a importância das abordagens regionais para resolução de problemas ambientais na escala global, não somente com o cunho acadêmico, mas geral, sendo de interesse da comunidade e gestores, por exemplo. Na oportunidade, os autores dos capítulos fizeram uma pequena síntese sobre o que foi desenvolvido, de modo a apresentar, oficialmente, o livro.

Como tudo começou?

De acordo com o professor, a ideia surgiu por volta de 2005, quando ele e Rozane aprovaram um projeto sobre Biomonitoramento da qualidade das águas na região Alto Uruguai, junto a Secretaria de Ciência e Tecnologia do RS. “Naquele momento foram observadas várias informações, entre as quais, as características dos corpos hídricos e a qualidade. Sendo assim, consideramos que seria interessante publicar e compartilhar esses dados”, relata, citando que, na metade de 2019, a proposta foi retomada.

Luiz enfatiza que, considerando o contexto interno da instituição, esse é um marco, pois o laboratório de Biomonitoramento é um dos mais antigos da URI. “Formalmente iniciou suas atividades em 2007 com o mestrado, porém, eu e a professora Rozane atuamos em parceria desde 2000. Colaboramos com a formação de muitas pessoas que hoje atuam em outras universidades, na rede pública de ensino e instituições de prestação de serviço. Isso é muito importante”, comenta.

Estruturação

Os trabalhos tiveram como base as monografias do curso de pós graduação, e, após, foi montado um grupo de pesquisa, no qual também estão acadêmicos de Ciências Biológicas e mestrandos de Ecologia da URI.

Em sete capítulos foram reunidos os principais tópicos das pesquisas junto às cooperações de pesquisadores da URI e de outras instituições. “A primeira parte apresenta como foi estruturada a equipe do laboratório ao longo desses anos e os temas trabalhados. Também fizemos um agradecimento aos estudantes que passaram pelo espaço e foram orientados por nós. Na sequência, são abordadas as características estruturais, a paisagem e os aspectos relacionados mais especificamente a qualidade dos rios. Em outra parte é mostrado o funcionamento do Biomonitoramento utilizando indicadores biológicos, onde são apresentados, ainda, alguns resultados. Nos outros capítulos é tratada a questão dos elementos tóxicos nos ambientes aquáticos, como a introdução de metais pesados, agrotóxicos, entre outros. Já no encerramento é feito um resgate sobre a gestão dos recursos hídricos e toda a legislação nacional que regulamenta as ações de gerenciamento, planejamento dos recursos hídricos no Estado e no Brasil”, explica Luiz, destacando que a diversidade aquática e os processos ecológicos são outros tópicos de fundamental importância trazidos no livro.  

Suporte aos profissionais

De acordo com o docente, o propósito foi organizar a obra de modo que possa ser utilizada como leitura complementar ou até mesmo básica nas disciplinas, não somente da URI mas de outras instituições da região, que também trabalham com a temática dos recursos hídricos, tais como a UERGS, a Universidade Federal da Fronteira Sul, entre outras. “Além disso, o livro tem um embasamento conceitual que pode servir de suporte para uma capacitação de profissionais da área, tanto em empresas de consultoria e assessoria ambiental, como nas secretarias de Meio Ambiente, por exemplo”, ressalta.

No que se refere a parte científica, os capítulos produzidos foram encaminhados para pesquisadores de outras instituições do Brasil para que fosse feita a leitura, análise e revisão do conteúdo técnico.

Cenário hídrico e preocupações

Ao considerar a situação atual dos mananciais e o cenário hídrico, como um todo, Luiz reforça que uma de suas principais preocupações está relacionada com a escassez de recursos em âmbito nacional para investimentos em pesquisa. “Compreendemos que o País esteja com vários problemas de ordem econômica e a pandemia acaba por complicar essa situação. Contudo, esse livro reforça que desenvolvemos um trabalho de qualidade e atuamos com ciência, tecnologia, inovação, que vem contribuir muito com o desenvolvimento regional”, observa.

Segundo ele, a estimativa é que os gestores e representantes de outros órgãos fora da academia, também tenham acesso à obra, que pode, inclusive, fundamentar o conhecimento e orientar as tomadas de decisão (pensando em restauração, recuperação e conservação dos recursos hídricos).

Já do ponto de vista técnico, algo que merece uma atenção diferenciada é a fragmentação vegetal. “Temos muitas bacias hidrográficas de pequeno porte, de áreas de cabeceira, que são muito fragmentadas em termos de vegetação - muito importante para conservar a qualidade e a quantidade da água. Nesse momento está se falando muito em estiagem, atraso no plantio da soja, mas isso é reflexo de todas as alterações ambientais que vem ocorrendo, não somente na nossa região como no País de modo geral”, alerta.

Acesso ao livro

O livro ‘Ecologia de Riachos no Alto Uruguai Gaúcho’ pode ser acessado no formato eletrônico (e-book) que já está disponível no site da EdiFAPES: www.uricer.edu.br

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