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Ponte Preta decreta situação de emergência

Estiagem afeta cultura de trigo, milho, produção de leite e perdas ultrapassam os R$ 5,5 milhões. “A quebra do milho está em 90%”, diz Arno Fries, produtor de leite

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“A quebra do milho está em 90%”, diz Arno, produtor de leite em Ponte Preta
“O município e a região já vem com perdas da seca do ano passado e agora esta nova estiagem”, diz Ad
Por Ígor Dalla Rosa Müller
Foto Divulgação

O município de Ponte Preta decretou situação de emergência em função da forte estiagem que atinge o município e o Alto Uruguai.  Segundo laudo técnico, as perdas na safra 2020/2021 já são significativas, afetando as culturas de inverno, verão e a produção de leite.

Na cultura do trigo, que está terminando de ser colhida, as perdas nas lavouras chegam a 50%, uma diminuição de 900 toneladas na produtividade, resultando em mais de R$ 1,2 milhão de prejuízos. As lavouras de milho também tiveram quebra de 50% com perdas estimadas em mais de R$ 4 milhões. Outra área muito impactada foi a pecuária de leite em que a diminuição da produção chega a 30% em função da seca, cerca de 180 mil litros de leite, perdidos. O total das perdas no município ultrapassam os R$ 5,5 milhões.

Leite

Segundo o produtor de leite e grãos da Linha 5 Canarinho, interior de Ponte Preta, Arno Fries, a situação está muito complicada. Ele explica que a produção de leite já caiu quase 400 litros por dia em função da estiagem. A lavoura de 24 hectares de milho para fazer silagem está 90% comprometida, afirma o agricultor. “Está tudo plantado, mas as plantas estão com um metro de altura e todas elas pendoadas. Dos 24 hectares vai sobrar uns três hectares de comida. A quebra do milho está em 90%”, afirma. A ideia é colher esse milho do jeito que está e fazer uma nova lavoura. Ele comenta que está aguardando a chuva para plantar a soja.

Segundo Arno, com o preço de hoje do leite e a comida que ainda tem estocada está conseguindo ter lucratividade, mas se fosse ter que comprar teria prejuízo. Ele ressalta que 95% da renda da família vem do leite e com esta situação não sabe como será logo ali adiante.    

Apesar da estiagem e das perdas na produtividade, a família Fries vai dar continuidade aos investimentos no tambo de leite. O projeto é confinar as vacas, profissionalizar ainda mais a atividade, mesmo em época de crise. Atualmente, a propriedade tem 42 vacas em lactação mas o objetivo é ampliar ainda mais a produção.

Administração

Segundo o prefeito de Ponte Preta, Ademir Sakrezenski, as perdas do município são muito maiores que os R$ 5,5 milhões estimados. O poder público está pedindo para a população diminuir o consumo de água, porque as fontes estão secando. “Os poços artesianos estão aguentando, mas não sei até quando”, afirma.

Ademir comenta que a com a estiagem os produtores não conseguiram plantar as pastagens o que reflete diretamente na produção do leite. Além disso, os produtores estão tratando o gado com o estoque de alimentos que tinham, e sem as pastagens, essa reserva está sendo consumida mais rapidamente, e não deve chegar até o fim do ano, quando seria colhido a safra nova, que está comprometida com a seca. “A silagem nova, praticamente, não tem massa, vai ser pouca e sem qualidade porque não vai ter o grão. O que vai se refletir a longo prazo”, afirma.

Com essa situação, explica Ademir, vários produtores estão dependendo da compra dos alimentos e os preços estão muito caros. “O milho dobrou de preço desde o ano passado, o farelo de soja triplicou de valor, e o leite não aumentou como o preço dos alimentos”, explica.

O prefeito observa que a seca gera vários problemas em cadeia, atingindo todas as áreas. No momento, está atrasando o plantio da soja porque não tem umidade suficiente na terra. Por todas essas situações, observa o prefeito, é que foi decretada a situação de emergência, inclusive, também, pela falta de água em algumas propriedades no interior, que o município já está auxiliando.

“O município e a região já vem com perdas da seca do ano passado e agora esta nova estiagem. O município está fazendo a sua parte já que somos essencialmente agrícola e a estiagem atinge diretamente o agricultor”, afirma.  

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