Agentes do Grupo de Ações Especiais da Susepe (GAES) e soldados da tropa de choque da Brigada Militar prestaram serviço de apoio para a execução da operação pente fino no Presídio Estadual de Erechim. O trabalho iniciou por volta das 8h da manhã de ontem (17) com a entrada dos policiais para acompanhar agentes da Susepe no trabalho de vistoria de celas e revista pessoal nos 490 apenados da instituição. O promotor Gustavo Burgos de Oliveira, representante do Ministério Público, e acompanhou a ação que encerrou por volta das 12h. A operação resultou na apreensão de armas, drogas, celulares e até balanças de precisão.
Segundo o comandante da Brigada Militar, tenente coronel Pedro Wilson Ferreira Pacheco, 120 pessoas se envolveram diretamente na ação. Entre soldados dos Batalhões de Operações Especiais (BOE) de Erechim e Passo Fundo, foram utilizados 60 homens. Outros 20 do GAES vieram de Porto Alegre, além de 20 agentes penitenciários da região Norte do RS que prestaram apoio nas transferências de detentos. "O trabalho da BM foi de apoio na vistoria da Susepe. Enquanto os agentes faziam as revistas nas celas os policiais faziam a contenção dos detentos no pátio e a revista pessoal", destacou Pacheco
Segundo o Ministério Público, uma lista apreendida durante a operação chamou atenção dos policiais e autoridades da área da Segurança. Nela estavam nomes de presos e existe a suspeita que as anotações são referentes ao controle para venda de drogas no interior do presídio. Outro ponto que chamou atenção dos policiais era o local em que celulares e drogas eram escondidos. Porções de maconha e cocaína foram encontradas em meio de cuias de chimarrão, erva mate e alimentos.
Transferência de detentos
Após a revista 16 presos foram transferidos para os presídios de Santa Maria, Passo Fundo e Porto Alegre. Segundo a direção da penitenciária, trata-se de uma medida de segurança para evitar novas rebeliões na casa prisional de Erechim. Através de uma nota a assessoria a Susepe, afirmou que os presos transferidos são conhecidos como "chaveiros". Internamente era deles a responsabilidade de resguardar algumas galerias.
Segundo o delegado Gustavo Ceccon, titular da Defrec, delegacia que investiga a morte do detento ocorrida no domingo (15), um dos chaveiros foi identificado como autor das estocadas que vitimou o detento Adilson Radeski de Oliveira. "Acreditamos que a vítima tenha tentado se vingar. Os chaveiros não são bem vistos lá dentro por colaborarem com a direção e ajudar a manter a ordem. Acreditamos que um deles chamou atenção da vítima, que posteriormente pegou uma faca e tentou se vingar. Neste momento outro chaveiro conseguiu intervir, um terceiro pegou a faca e deferiu os golpes", esclareceu o delegado.
Para evitar outras mortes e rebeliões o juiz Antônio Carlos Ribeiro, titular da Vara de Execuções Criminais (VEC), determinou a transferência destes apenados para outras casas prisionais do RS. A decisão ocorreu após audiência realizada na segunda-feira (16) à tarde.
Familiares dos presos envolvidos nas ocorrências de domingo e segunda-feira, permaneceram mobilizados em frente ao presídio. De acordo com informações coletadas no local alguns dos presos ameaçavam assassinar os chaveiros, inclusive o suspeito de cometer o crime, caso não fossem todos substituídos e transferidos.









