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Saúde

Erechim conta com atendimento de psicogeriatria

Felipe Nascimento Barreto é o primeiro profissional no município a atuar na área que prevê cuidados da saúde mental dos idosos

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Felipe Nascimento Barreto
Por Izabel Seehaber - izabel@jornalbomdia.com.br
Foto Izabel Seehaber

O cuidado com a saúde mental deve ser permanente e na terceira idade algumas doenças desta natureza podem se agravar. Por isso, nada melhor que prevenir e tratar tais patologias que podem ser controladas. A afirmação foi feita pelo médico Felipe Nascimento Barreto, formado pela Universidade Federal de Sergipe em 2011, e que há pouco tempo fixou residência em Erechim. 
Ele é especialista em Psiquiatria pela Universidade Federal de Minas Gerais e também se especializou na área de Psicogeriatria. De 2015 a 2016 realizou o mestrado e já atuou como professor. Atualmente é o único profissional da área em Erechim. 
Felipe atende no consultório particular e também no Lar dos Idosos. Em entrevista ao Jornal Bom Dia, ele relata que a transição para Erechim ocorreu em razão de a noiva (a qual também atua na área de psiquiatria) residir em Erechim. Ao mesmo tempo a ideia vem ao encontro de uma cidade menor e mais tranquila. 
A linha de trabalho foca no atendimento de adultos e idosos. Segundo Felipe, a expectativa de trabalho é positiva no sentido de que cada vez mais é necessário o trabalho de um profissional da área de psiquiatria para poder lidar com os transtornos mentais, os quais acarretam prejuízos aos pacientes e precisam ser tratados. "Hoje em dia já diminuiu o 'preconceito' diante desses casos, mas ainda temos o desafio de superar algumas barreiras", disse.
Atualmente as doenças mais comuns são a depressão e os transtornos de ansiedade. "É preciso desmistificar a ideia de que essa doença está atribuída a uma suposta falta de caráter, de trabalho. As mulheres sofrem muito em razão de sobrecargas de atividades", exemplificou, destacando ainda, que os transtornos mentais possuem uma influência genética associada às condições ambientais desfavoráveis, tais como desemprego, luto, falta de segurança, entre outros fatores. "Há um crescimento dessas doenças, principalmente a depressão. Estimativas da organização mundial da saúde apontam que em 2020 a doença será a segunda causa de incapacidade em todo o mundo", citou. 
Do mesmo modo, a associação de depressão e doenças clínicas, é muito significativa. De acordo com o especialista, um fator de risco independente para desenvolver problemas cardiovasculares é a depressão, que representa a mesma carga que fatores conhecidos como cigarro, bebidas alcoólicas, alterações de colesterol, diabetes e sedentarismo. Há também algumas doenças que podem levar à depressão, caso não tratada, tais como o hipotireoidismo. Pessoas que recebem a notícia de um câncer, por exemplo, e que possuem uma pré-disposição à depressão, podem desenvolver a doença. "No entanto, principalmente no público jovem, as doenças clínicas muitas vezes não estão relacionadas aos transtornos mentais. Já nos idosos, sim", alerta. 
O médico enfatiza que a depressão é considerada uma doença cerebral que acomete todo o sistema, mas é algo que tem tratamento e deve ser levado a sério. "O público feminino costuma apresentar mais casos de depressão, isso porque, de modo geral, tem mais preocupação com os diferentes assuntos", pontua.   
Outro aspecto importante é promover a educação referente aos transtornos mentais. Em relação aos métodos de tratamentos, o psiquiatra explica que atualmente as terapias muitas vezes apresentam um perfil de efeitos colaterais diferenciado. No caso das gestantes, existem os medicamentos que podem ser utilizados nesse período, mas também o impacto da doença durante a gravidez. "Uma depressão que não é tratada nesta fase pode levar a alterações para o feto, principalmente baixo peso ao nascer. Por isso, deve ser tratada com medicamentos ou psicoterapia", ressalta. 
Idosos e a saúde mental
Quando o assunto é cuidado com a saúde mental dos idosos, o médico salienta que estamos assistindo a um envelhecimento de toda a população, sendo que passamos de 9,8% da população idosa em 2005 para 14,3 em 2015. A estimativa é que esse número supere o percentual da faixa etária de zero a 14 anos, o que quer dizer: a partir de 2030, haverá mais idosos que crianças e adolescentes. 
Os números nos levam à reflexão: "Como estaremos preparados. Porque até mesmo o Rio Grande do Sul é o segundo com mais idosos no país e só perde para o Rio de Janeiro, e são poucos os profissionais especializados na área", completa. 
Por isso, é importante envelhecer com saúde e estar atentos aos sinais de transtornos nessa faixa etária, principalmente a depressão e a demência, a qual atinge 7,1% da população. Tais problemas merecem atenção redobrada pois afetam a autonomia e a independência do idoso. Nesse sentido, a própria aposentadoria, conforme o especialista, pode ser um fator de risco para a depressão, principalmente para os homens. 
Os atendimentos podem ser agendados de segunda a sexta-feira. 

 



Felipe Nascimento Barreto afirma que  os transtornos mentais possuem uma influência genética associada às condições ambientais desfavoráveis

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